Careca chegou ao São Paulo Futebol Clube em 1983. Havia deixado de disputar a Copa de 1982 devido a uma ruptura do ligamento cruzado anterior de um dos joelhos e uma cirurgia para a retirada do menisco externo. No primeiro jogo com a camisa de três cores, perdeu dois gols de pênalti, contra o Grêmio. Um pouco depois ficou seriamente doente, contraindo hepatite. Mas ressurgiria com sua incrível técnica.
Antes de falar sobre o jogo dos dois pênaltis perdidos, quero deixar claro que Careca foi um dos atacantes mais técnicos que já vi jogar. Às vezes perdia gols devido ao excesso de categoria que tinha. Deslocava os goleiros com toques sutis de efeito e a bola raspava a trave caprichosamente. Craque, craque, craque!
Vou falar deste jogo porque tem situações extra campo que nos envolvem de tal maneira que fica marcado para sempre. Fomos em quatro pessoas para o Morumbi, sábado a tarde, para ver São Paulo x Grêmio de Porto Alegre, sendo dois sãopaulinos e dois corintianos dentro da Belina do japa sãopaulino Mario Tabata. O Tabata tinha um capricho nesta Belina, acho que era 1983, carro bom. Estava sempre brilhando.
Se o Tabata ouvisse o gemido do destino não iria ao campo. Parecia que o vento do destino falava: não vá, não vá… Mas é difícil ouvir esta voz. A coisa estava feita. O Tabata errou o caminho e foi fazer a meia-volta e ficou atravessado na rua – veio outro carro e afundou a porta do lado do passageiro. A coisa estava começando. Até chegar ao estádio deu o que fazer. Mas vamos direto para o jogo. Eu estava no estádio ao lado de um amigo como torcedor neutro juntamente com os dois sãopaulinos. Aí tivemos o primeiro pênalti para o SPFC. Careca para bater – perdeu! Um torcedor à minha frente virou para mim puxando os cabelos de raiva. Dei um sorriso amarelo, vai fazer o que, né?
Só sei que o Tarciso do Grêmio estava fazendo gols no tricolor paulista. Mas acontece outro pênalti para o SPFC. De novo Careca para bater – perdeu de novo! Gente, não é pra menos, o cara da minha frente começou a puxar de novo os cabelos. De volta para casa, 3 x 2 para o Grêmio, carro batido, raiva pelos pênaltis perdidos.
Conclusão: de certa forma, todos nós já passamos por agruras nos estádios, seja por uma derrota, ou por tomar chuva, ou por ficar espremido na saída, ou por levar objetos jogados nas costas, mas esta partida ficou cara para o Mario Tabata.
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