No meu primeiro emprego, em 1969, trabalhei em um prédio lindíssimo, todo de vidro, na esquina do Largo do Paissandu com a Antonio de Godoy.
Pertencia ao grupo CVB, cujo dono era Sebastião Paes de Almeida, amigo do ex-presidente Juscelino Kubitschek. Tinha muito orgulho de trabalhar naquele grupo e fui muito feliz nessa época. Tudo era festa!
Como trabalhava em um andar alto, em um certo dia de 1973 vi uma movimentação de helicópteros nas adjacências e fui ver o que era. Fiquei paralisada com a cena: Vi que havia um grande incêndio, que depois fiquei sabendo ser no Edifício Andrauss. Havia várias pessoas no topo do edifício, esperando ser resgatadas pelos helicópteros, que passavam bem perto das chamas. Fiquei apavorada com a possibilidade de o fogo atingir o pessoal do resgate. Não parava de rezar (embora não fosse tão religiosa assim) e chorar, pedindo proteção para as vítimas do incêndio e para os heróis que tentavam salvá-las. Gostaria muito de saber o nome daqueles homens, tão incrivelmente corajosos. Houve várias vítimas, mas a maioria das pessoas se salvou.
Achava que tão cedo não teria notícia de algo tão impactante, até que no ano seguinte, houve o incêndio do Joelma, muito mais violento e com muito mais mortes. A esse, não assisti, mas ouvi todas as notícias a respeito. Lembro-me que fiquei quase sem dormir por três noites, pensando na tragédia, no imponderável, nas famílias das vítimas. A partir daí, percebi que a vida, apesar de bela, não é tão colorida como imaginava. Mas que é preciso continuar, não importa o que aconteça.
E-mail: [email protected]