Caminhando… Sem lenço, sem documento.

Quem tiver interesse em ler o texto todo, perceberá o que eu não tinha percebido: por qualquer lado que eu saísse do meu prédio, todas as saídas acabavam na Alameda Barão de Limeira, esquina com Alameda Eduardo Prado, ponto de encontro da Turma da Barão na década de 60/70. Eu era feliz, porque, qualquer caminho que eu tomasse, iria encontrar amigos, amigas, namoradas e parodiando um provérbio: "todos os caminhos levam a Barão de Limeira."

Eu morava em um prédio na Rua Vitorino Camilo esquina com a Rua São Martinho. Saindo do prédio e caminhando pela São Martinho, a primeira casa do lado esquerdo era do Márcio; em seguida, a casa do São Paulino (apelido), e na outra casa tinha uma garota que esqueci o nome e do lado direito também havia uma garota que esqueci o nome também! Até que chegava à esquina da Rua Chácara do Carvalho onde eu tinha opção de seguir em frente na São Martinho ou entrar à direita na Chácara do Carvalho.

Seguindo em frente na São Martinho, na calçada direita, era o muro do Colégio Boni Consili (de freiras, em que só estudavam garotas) e na calçada esquerda, diversas casas que eu conhecia todos, mas não lembro os nomes, até finalmente chegar à Barão de Limeira.

Na calçada em frente morava o meu parceiro de ping-pong (esqueci o nome também); descendo um pouco no prédio da esquina com Rua Lopes de Oliveira, morava o Carioca (sósia do Ronnie Von), uma amiga cujo pai trabalhava no Playcenter e vivia oferecendo ingressos de graça e também tinha o Mimi (apelido), o Helvio (criação de minhocas) e, andando na calçada do lado direito da Barão, continuava o muro do Boni e na calçada esquerda diversos prédios, onde moravam diversos amigos e algumas namoradas que tive relacionamento, até chegar novamente na esquina da Chácara do Carvalho.

Atravessando a rua, na mesma calçada da Barão, tinha o prédio do Wagner Levorin, Mauricio (apelidado de ovo) e do lado esquerdo tinha o prédio do Mordechai (apelido Chiquita), do irmão Moises (apelido Mo). No prédio ao lado tinha o Márcio (falecido) e o irmão Caio (Dadado), Sergio Pelegrini, os irmãos Pimenta, minha companheira de noitadas Marisa Levy (que trabalhou no filme Em Ritmo de Aventura, do Roberto Carlos) e no prédio onde ficava nosso muro na esquina da Eduardo Prado tinha o Carmi, seu irmão Isidoro, o Helinho, Saul, Ângelo (apelido Da Grande). Seguindo em frente na Barão, moravam os irmãos Ricardo, Washington, André, mais duas irmãs e também o Amilcar e Donato.

Saindo do meu prédio pela garagem, eu estava na Vitorino Camilo e, caminhando para o lado esquerdo, tinha na calçada direita um posto de Saúde Municipal e, mais à frente, o Macedão, que era outro colégio onde lembro que tinha alguns amigos, até chegar à esquina da Eduardo Prado. No prédio em frente tinha um amigo (Valdir ou Vicente) com quem eu ia todos os sábados jogar futebol de salão no Circulo Israelita, e descendo a Eduardo Prado, eu passava pelo prédio do Nicola, do Ferrari e na casa em frente do Ricardo Fanganielo até chegar novamente no muro da Barão.

Saindo do meu prédio e caminhando pela São Martinho, agora vou entrar à direita na Chácara do Carvalho, onde cada casa eu tinha um amigo ou amiga, mas como é duro lembrar os nomes… Esta rua fazia uma curva à esquerda e terminava na Barão.

Mas esta rua está na memória de todos os integrantes da turma da Barão, porque era o nosso ponto de encontro para as "peladas" (futebol), para o jogo de "taco"(tipo Críquete), para os "amassos" nas meninas do Boni. A rua era estratégica, porque, no cotovelo da curva, era possível visualizar quem estava subindo a rua vindo pela Barão ou quem estava vindo pela São Martinho. Infelizmente, foi nesta rua também que presenciei muitos amigos se perderem nas drogas, principalmente maconha, que era o hit da época.

Ufa! Não lembro quantas voltas dei no quarteirão da Chácara do Carvalho e de quantos amigos deixei para trás…

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