Foi em meados de 1960 que o meu amigo, Carmo Lanzetta, montou a linda boate de gays e lésbicas de São Paulo, na Rua da Consolação, próximo à Av. Paulista.
Era uma casa muito luxuosa, lindamente decorada e foi aí que apareceram os primeiros shows dos travestis, as primeiras drag queens, as le girls, e muitas outras artistas; o falecido estilista Dener era assíduo frequentador da boate, quase todas as noites ele estava presente. A comediante Zilda Cardoso (Catifunda, da Praça é Nossa), vários artistas, pintores, jogadores de futebol, enfim, toda a classe artista estava sempre presente.
Era uma boate muito badalada, e por ser uma novidade GLS estava sempre lotada de curiosos. Eu era amigo do dono (inclusive do sócio do Carmo, o Edson), estava todas as noites na boate; conheci muitos artistas, cantores, diretores de cinema. Todas as noites era uma festa, não tinha uma boate como o Nuit Dor, em 1960; ficava bem perto do bar Riviera, que na época era também famoso.
Foi uma época maravilhosa na noite de São Paulo. Dificilmente acontecia uma briga, era sempre uma noite tranquila. Como tudo na vida tem um fim, depois de muitos anos, o Edson, sócio do Carmo Lanzeta, morreu em um acidente de carro na Marginal, em São Paulo; também o Carmo Lanzetta depois faleceu.
Anos depois a boate abriu as portas com o nome de Nostro Mondo. Mas sem sombra do que tinha sido a linda boate Nuit Dor. Tudo passa na vida e tudo acaba, tem que ser assim: começo meio e fim.
Agradeço a Deus por ter tido uma mocidade maravilhosa, fui um dos maiores boêmios de São Paulo. Lembro-me das boates, do meu amigo, o ator Helio Souto, o Dobrão. Ficava nos Jardins, na Al. da Lorena, do Lalicorne, da Laura, do Michel, da Sonia, do La Vien Rose, da Ester, do Varieti e Dakar, do Guido e Pedrinho, etc.
Obrigado São Paulo, hoje sou um senhor muito feliz.