Como nascia um time de várzea

O ano era 1950, no Tatuapé de cima.
 
Na saída do Grupo Escolar Visconde de Congonhas do Campo, a molecada fazia a parada quase obrigatória na sorveteria do seu Batista, na Rua do Ouro, para comprar o insubstituível picolé de coco queimado, que só ele sabia fazer e as balas Futebol… Já era sexta-feira, então um garoto da rua de baixo veio com a ideia:
“- E aí, vamos jogar contra amanhã lá no campinho da Rua Platina?”.
“- Vamos… Mas tem que ser a taça”.
 
E mãos a obra.
 
Em uma lata de leite em pó, pregamos em baixo um pedaço de pau de vassoura, na outra ponta pregamos a tampa para fazer o pezinho e revestimos de papel alumínio, que tirávamos dos maços de cigarro que a gente colecionava… Pronto, estava pronto o cobiçado troféu.
 
Sábado de manhã começava a pelada… No decorrer do “match” eram inevitáveis as caneladas, discussões e até brigas com a promessa do já famoso “te pego na escola”… Mas no fim não dava em nada… Alguém levava o troféu e uma vaquinha com algumas moedas, todos festejavam com guaraná caçula.
 
Ano seguinte, esse mesmo grupo de garotos que jogavam “contra” resolveram formar um time nesse mesmo campinho… Alguém deu um jogo de camisas e assim nasceu o Cruzeiro do Sul F.C., que virou o famoso Cruzeirinho do Tatuapé e que no último dia 2 de abril completou 63 anos de vida…