O Grupo de Madeira do Jardim São Luiz e a Cartilha Caminho Suave

Hoje, existem suntuosos prédios em São Paulo que denotam ser ali um centro de saber de excelência em conhecimento, afinal, o Brasil só conseguirá sair de seu marasmo educacional através do fomento de alto nível para suas próprias necessidades de transformação. Não sabemos dizer se é o pensamento dos governantes que o país venha emergir e acordar de seu “berço esplendido” e desperte para um novo porvir, ou pretende-se usar todo um discurso de submissão política para melhor controlar a população.
 
Não sei ao certo se houve uma qualidade inferior ou superior em determinada época, mas sei dizer que uma escola era respeitada como se fosse um templo, independente de sua construção suntuosa ou não, e os mestres eram reverenciados onde estivessem.
 
O uniforme não era dado pelo governo e todos iam asseados de camisa branca de algodão e calça azul marinho. Sapatos eram artigos de luxo e muitos usavam calçados rústicos da Alpargatas Roda quando podiam, ou um “roto” chinelo de um solado fraco.
 
O bairro possuía somente o “Grupo Escolar Jardim São Luiz”, onde se estudava até atingir o quarto ano primário (hoje seria o primeiro estágio do curso fundamental) e era construído todo em madeira bem emparelhada, feitos em galpões separados em meninas e meninos, mas a qualidade educacional era a mesma para ambos, pois todos começavam pelo básico da Cartilha Caminho Suave!
 
A sala era bem iluminada voltada para a posição do nascente e poente do sol, pois não se usava tanta energia elétrica como atualmente, onde até se dão ao luxo de deixarem salas vazias com lâmpadas acesas. O assoalho era todo em madeira e tinha que se que andar devagar para fazer pouco ou nenhum barulho e as carteiras eram feitas para se sentarem dois alunos em cada uma, sendo que no meio da carteira estava um tinteiro para encher canetas com um azul fortíssimo e que em alguma ocasião acontecia o “desastre” de ser derramado sobre nossos pertences estudantis.
 
Aprendíamos para não sermos deixados para trás por alguma reprovação anual, pois não havia “aprovação automática” sem aprender toda a tabuada e ter o conhecimento geral reconhecido em alguma “sabatina”. Os trabalhos eram entregues “escritos na raça” com letra cursiva aprimorada no caderno de caligrafia. Hoje há a internet e muita informação, os trabalhos podem ser entregues impressos copiando através do control C e control V!
 
Éramos iguais no saber transmitido e “só tínhamos formação”!
 
O antigo grupo escolar atualmente é a escola fundamental denominada “Escola Estadual Marechal Eurico Gaspar Dutra” e está localizado na Rua Hipólito Cordeiro, sem número, no Bairro Jardim São Luiz, região de Santo Amaro, São Paulo e conta com uma estrutura educacional moderna.