Nasci em São Paulo em 27/12/1938, na Freguesia do Ó, numa noite linda maravilhosa. Minha mãe sempre disse que quando eu nasci ela viu estrelas. Sou o caçula de três filhos, tenho, portanto, duas irmãs.
Tenho também uma complexa mistura de sangue, português por parte de pai, italiano e mineiro por parte de mãe e francês por parte de um vizinho, amigo de minha mãe e que me fez uma doação de sangue logo nos meus primeiros meses de vida. Tive muita perda de sangue, pois nasci com Colite. (Estão perdoados todos os leitores que fizeram um mau julgamento de minha santa e falecida mãe).
De lá pra cá a minha aparência quase não mudou, pois nasci careca e sem dentes e hoje cheguei aos setenta anos careca e sem dentes.
Agora, São Paulo sim, mudou muito, São Paulo cresceu muito mais que eu e, no lugar de ficar careca ao perder suas matas, recebeu o implante dos prédios, arranha céus e cresceu, cresceu, cresceu, recebeu imigrantes, italianos, portugueses, japoneses, judeus, árabes, coreanos, chineses, espanhois, húngaros, poloneses, alemães, argentinos, uruguaios, chilenos, paraguaios, bolivianos, que unidos aos migrantes mineiros, baianos, cearenses, pernambucanos, alagoanos, sergipanos, uniram nessa cidade gente de todos os estados, gente de todo canto, gente de todo lado.
Nossos netos hoje em dia têm no sangue um pouco de tudo isto. E foi graças a todo esse povo que São Paulo é essa pujança.
Até os anos 60, em termos de grandes obras, só se falava do Viaduto Santa Efigênia, do Viaduto do Chá, do Banco de Estado, do Martinelli. As vias Anchieta e Anhanguera eram quase desconhecidas.
Hoje São Paulo é outro, viadutos, elevados, pontes de primeiro mundo, enquanto eu fico mais velho. São Paulo ficou bem mais moço. Mas um dia, depois de morto, se for possível, voltar e fazer uma nova escolha. Eu quero nascer em São Paulo, na Freguesia e ser corintiano de novo.
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