Recordo-me de um tempo em que as pessoas da roça que vinham pra São Paulo morriam de saudades do sertão. Ouviam programas de rádio com sons rurais (galos, monjolos, berros de bois e vacas etc) e se emocionavam até as lágrimas. Destes programas, não guardei muito bem dos nomes, mas sei que tinha o "Na beira da tuia" e, mais recentemente, o "Estrela da manhã" (inesquecível, pois é o mais belo título que um Programa caipira poderia ter).
Era um nunca mais acabar de sonhar.
As músicas então, era uma passagem para outra dimensão.
Agora, tudo mudou! A roça e a cidade se uniram de uma forma que as torna indissociáveis.
Pessoas há – e muitas – que contribuíram e contribuem de uma maneira grandiosa para que esta união, que se desenhava impossível, se concretizasse.
Não me refiro aos caipiras famosos, como o Boldrin, Almir Satter, Inezita Barroso e outros, mas às pessoas comuns que fazem música – e boa música – e levam aos quatro cantos do país, seja nos bares, nos botequins de 5ª, nas festas regionais, nas ruas, nas praças e esquinas.
Normalmente no mês de junho, quando o espírito caipira mais se acentua em cada um de nós, porque, afinal, todos temos em comum um passado rural, é mais comum as grandes festanças, mas as pessoas que “vivenciam” música cotidianamente, não fazem diferenciação de época não! É festa todo dia, basta pintar uma viola. Se tiver sanfona, então, aí que a coisa pega fogo. Como diz o Paulinho, conhecidíssimo tocador mauaense de viola e aprendiz (em estágio avançado) de sanfona.
Neste junho de 2007, na chácara dos 13 (Estrada do Carneiro) realizou-se mais uma festa na roça conduzida pelo Paulinho; Uma festa das mais bonitas, por sinal.
Terço. Doces, bebidas de época, pipoca. Danças. Mastro do santo. E música; muita música.
Lá pelas tantas a neblina recobria as árvores. O frio era intenso, mas a música aquecia a alma, que é esta a sua função primeira.
e-mail do autor: [email protected]