Na Avenida Ipiranga em São Paulo

Avenida Ipiranga, um dos logradouros do centro de SP, confluência entre as avenidas Senador Queiroz, Prestes Maia, São João, Largo Paisandu e República (praça).

Em dias de sol, saímos de casa da pensão, para o almoço. A cidade sem aquele agito dos dias de semana era bem pacata e quase provinciana do movimento de pessoas e veículos, fazendo lembrar das cidades pequenas ou do interior de onde viéramos.

Já à noite, o quadro se modificava. Painéis luminosos, em destaque em néon e de todos os formatos, brilhavam flashes do noticiário nacional e internacional dando as últimas notícias, algumas de interesse e outras nem tanto, mas estavam lá disponíveis para ler.

Estávamos saindo de casa para um lanche e para assistir a uma sessão de cinema.

A Avenida Ipiranga era um desses palcos onde a juventude dos anos sessenta saia do "lar" para os embalos de sábado à noite, que, de “juventude transviada”, como éramos chamados, tinha-se pouco. Um estilo de vida que perdurou por longo tempo em que a memória teima em não se apagar.

Íamos ao cinema e de lá já saíamos com o pensamento modificado, influenciado pelo roteiro e tentando, assim, imitar as personagens, principalmente no aspecto em relação à convivência humana e social que o filme trazia, e que a cada um se submetia a um relacionamento de sucesso que tivesse duração e um final feliz. Se você quiser rever esse tempo, procure em algumas sessões do cinema cult e verá ou reviverá essas cenas.

Confesso que nesse aspecto sempre fui uma pessoa romântica. Penso que é uma necessidade do homem, creio, deixar-se suprir pelo contato dos humanos com as mulheres e mocinhas os socialmente integrados, à procura de um par ideal para um encontro, um namoro ou uma conversa frutífera, abrindo-nos ao diálogo e, assim, produzir para o futuro um bom resultado.

Não só essas películas nos mostravam essas fantasias. Filmes nacionais, por exemplo, sem desmerecê-los, também mostravam cenas de violência; e dessas grossas relações, os filmes do valentão Jece Valadão ou os de Norma Benguel, onde o ator nas vezes fazia o papel ordinário, a meu ver, do cafetão, personagem que aos poucos foi morrendo, em minha opinião.

Mas falando de coisas boas, esse era o palco da cidade quando saíamos às ruas iluminadas de São Paulo à procura de diversão e entretenimento. Claro que havia também as boates e os inferninhos por aí na região, os boêmios lembram, e nós sempre com devido cuidado que essas cenas requerem, para não se meter em confusão em locais que a polícia está sempre de plantão.

Tencionava escrever um semelhante texto para retratar esse tempo e que certamente muitos de vocês tiveram essa mesma experiência. Fazíamos para aproveitar bem o tempo, mas de uma maneira saudável, sem excessos.

Creio que especificar a Avenida Ipiranga nesse quadro e sendo palco na paulicéia é um compromisso dos paulistanos, ou não paulistanos, interessados em destacá-la para registrar que, naqueles asfaltos escuros e antigos da avenida fluía um gosto enorme gosto de viver a vida e partilha-la, sem violência, gritos e confusão, longe do policiamento.

Espero que esse depoimento faça aflorar os interessantes e necessários depoimentos dos costumeiros e importantes comentários.
Na Avenida Ipiranga em São Paulo.

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