O bonde da Praça João Mendes/Angélica

Transcorria o ano de 1963, era um garoto com dez anos e nada interessava mais do que "andar" naquele carrão grande de ferro, com rodas de ferro e que não saia do seu caminho: os trilhos. <br><br>A primeira vez que o vi fiquei encantado; não sabia se olhava dentro ou fora do Bonde.<br><br>Minha missão, durante as férias escolares era tomar ônibus da Vila Industrial até a Praça da Sé. De lá seguir até a Praça João Mendes e entrar no "meu paraíso": o Bonde Angélica, até Av. Paulista descendo próximo à Alameda Rio Claro.<br><br>Lá ficava o Hospital Matarazzo e, neste local, tínhamos nossa única refeição diária. Eu, quatro irmãos menores, meus pais, avó paterna e mais três tios: todos dependiam daquela refeição. Eram momentos difíceis.<br><br>Na volta, lá vinha eu com três ou quatro grandes marmitas de alumínio, recheadas de deliciosa comida. Pegávamos o bonde de volta, o ônibus e ainda a refeição chegava morna em casa.<br><br>Uma certa vez, tomei o mesmo só para passear e fui da João Mendes até a Angélica, desfilando entre os casarões da Av. Paulista e da Av. Angélica, contornando a Praça Marechal e novamente passando pela Av. Angélica, Av. Paulista, Rua do Paraíso, Rua Vergueiro até chegar à Praça João Mendes.<br><br>Foi nesse dia que observei uma propaganda “Veja, ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem ao seu lado. E no entanto acredite: quase morreu de bronquite. Salvou-o o rum Creosotado " creio que era mais ou menos assim. Ao terminar a leitura olhei e havia um senhor ao meu lado. Fiquei olhando-o e pensando: – É, quase morreu de bronquite….<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>