Momento único

Era junho, ano de 1972, o frio cortava a alma, apressada para tomar o ônibus que me levaria ao trabalho, entrei na Igreja Santo Antonio, Praça do Patriarca como sempre fazia.

Logo na entrada uma imagem de Santa Terezinha, minha confidente, com seu sapatinho prateado já gasto, por tantas mãos o terem tocado… Oro, peço auxílio, tenho muita fé, deposito em suas mãos minhas preocupações…

A igreja quase vazia, tinha algum tempo ainda e resolvi entrar para um momento mais completo. Sentei-me, e no silêncio daquela casa ouvi um soluço que vinha ali da frente, mais um soluço. Perto de onde eu estava, avistei um homem que talvez tivesse uns 50 anos, negro, calvo, ajoelhado, com o rosto no meio das mãos, chorando baixinho… Abalada, fiquei prestando atenção, não havia ninguém ao seu lado, somente uma carteira e documento que parecia carteira de trabalho.

Permaneci ali, imóvel e emocionada, orei muito para que Jesus olhasse por ele, pensei que talvez tivesse perdido o emprego, ou estivesse desesperado procurando um. Não tive coragem de me aproximar, se fosse atualmente faria isso com certeza, naquele tempo eu era muito tímida.

Pedi com toda minha fé que ele fosse atendido, fiquei ali como hipnotizada com a cena, ainda alguns minutos, querendo protegê-lo.

Quando saí, olhei para a Santinha e coloquei em suas mãos aquele ser tão desesperado. Preocupada, por muito tempo o inclui em minhas orações… Tenho fé de ter sido atendida.

O fato é que tudo ficou muito presente na minha memória e veio a tona agora devido ao conto da Trini onde ela menciona sua fé pela Santa Terezinha, a Santinha da nossa devoção.

Observadora da vida, tenho muito que contar da minha vivência na nossa São Paulo.

Abraços.

Até breve!

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