No ano de 1955 minha família foi morar na Vila Esperança, na Rua Montes Áureos. Em uma Vila de casinhas de propriedade do Sr. Manuel Rufino de Farias e sua esposa Dona Teodora. Ficava quase de frente com a venda do Pedro e da dona Nena. Um pouco mais a frente, ficava a venda do Sr. José Português, que ficava em frente da casa do português bigodudo.
Na venda do Sr. José trabalhava o Biguá, que fazia vendas com uma carroça, e também o Hildebrando, filho da Dona Conceição. A minha turminha naquela rua era o Hildebrando, Zé, Arnaldo, Cláudio, Milton Pitoco, Paulo, Hélio, Fábio, Irineu, Sérgio, Dami, Biguá, e caso tenha me esquecido de algum, que me desculpem.
O ponto final do ônibus Penha, Vila Esperança, ficava na Rua Otília, esquina com a Avenida Amador Bueno da Veiga. Perto do ponto final, tinha a Tecelagem Varietex que empregava muita gente da região, e muitos se aposentaram nessa firma. Tinha também a mata da Dona Olívia de Oliveira que hoje é nome de rua na região.
Chamava mata da Olívia, ou talvez chácara da Olívia, onde fazíamos caça de passarinhos. Hoje no local há instalado um Quartel da Polícia Militar, e a região esta totalmente construída. Meu diploma primário, tirei no Grupo Escolar Monsenhor Passalacqua, e o Diretor na época era o Professor Américo e os meus professores foram a Professora Marina e Professor Moacir.
No Passalacqua passaram quase todas as crianças nascidas, e moradoras na Vila Esperança naquela época. Na Vila Esperança tinha dois cinemas, um muito conhecido que ficava na Rua Maria Carlota, era o Cine São Sebastião, tempos depois transformado numa igreja evangélica, e o Cine Goteira, que ficava na Rua Otília.
Enquanto existiu, o Cine Goteira era o meu cinema preferido nas matines de domingo, sempre passava bons filmes. Do Cine Goteira, hoje só se lembra os maiores de 60 anos de idade, de ouvir falar, muitos ouviram. A última vez que entrei no Cine São Sebastião foi para assistir um Show do Roberto Carlos e a sua Turma, que aconteceu em l965 ou 1966. Obs. O Roberto Carlos naquela época já era um super artista, com bagagem de alguns anos de carreira e sucessos.
No ano de 1956 mudamos para a Rua Celina número 21. A Rua Celina começa no Largo e ia até a Rua Leopoldo de Freitas. Morava numa casa de fundos após o campo do Centenário. Na casa da frente morava os proprietários, um casal de italianos. Ele de nome Leonardo, ela de nome Luiza, e os seus filhos Rosa e Felício. Do portão de casa, olhando para a esquerda, podia assistir aos jogos no campo do Centenário, e olhando para a direita, via o campo do Macalé.
O campo do Macalé ficava na Rua Alvinópolis, nos fundos de uma fábrica conhecida como a Fábrica do Ademar, do outro lado tinha um rio. Um gol ficava perto dos eucaliptos e o outro perto da Rua Embiruçu. A sede do Clube Macalé ficava na Rua Padres Olivetanos, próximo à igreja. E foi nesta Igreja que me casei no ano de 1966.
No campo do Centenário, além do time do Centenário propriamente dito, que era um time de veteranos, a maioria moradores na Travessa Centenário, também jogava o time do Ordem e Progresso. O Ordem e Progresso era o time da juventude, um time da Turma do Largo. Seus jogos eram muito concorridos, pois a juventude “comia a bola”, e alguns dos jovens chegaram a se profissionalizar.
Na Rua Leopoldo de Freitas esquina com a Rua Demini, tinha o bar do Sr. Nicola, pai do Cosmo. No bar do seu Nicola tinha uma TV onde assistíamos jogos do campeonato Paulista. Os adultos ficavam sentados nas cadeiras, os moleques ficavam do lado de fora, desde que não fizessem bagunça. Foi na TV do bar do seu Nicola que eu vi pela primeira vez o Pelé jogar futebol.
O bar do "seu Nicola" ainda existe no mesmo local, agora comandado pelo Cosmo, meu amigo de infância. Também tinha o Bar do Júlio espanhol, e o bar do Donato. Vou dar o nome de alguns amigos daquela época. O Cosmo, já citado, o Chico, o Zé Boi, o Wilson Cantão, o Laércio, o Manolo, o Primo, o Zinho. O Zigue, O Walter Xixolaio, irmão do Chico, etc., muitos outros que agora a memória me falta, mas espero que também me desculpem.
Agora vou falar do Largo e da Turma do Largo. O Largo fica no final da Padres Olivetanos, Maria Carlota, Rua Cumai e Rua Celina. Quando falo do Largo, entendam a padaria do Largo. A concentração da Turma do Largo era na Padaria. Então quem morava na nas proximidades do Largo, freqüentava a padaria do Largo, no Largo também tinha o Bar e Pizzaria do Tonéco, que ficava onde hoje, se não me engano, funciona uma loja, ou a farmácia do Carlos Parente.
Tinha também o Bar do Pescoço, a sua especialidade era pescoço de frango cozido e bem temperado, servido com caldo e rodelas de pão, e mais tarde, surgiu o Feijãozinho. Falar ou escrever qualquer coisa a respeito da Vila Esperança sem falar nos carnavais da Vila Esperança, é o mesmo que não falar nem escrever nada sobre ela. Os carnavais de rua na Vila Esperança eram os melhores do Estado de São Paulo. As ruas ficavam totalmente tomadas pelo público.
Alguns anos foram transmitidos pela televisão. Eu tenho muito a escrever sobre os carnavais que assisti nas ruas, mais vou deixar este espaço para ser ocupado pelos participantes dos desfiles, das bandinhas que acompanhavam os blocos, pelos dirigentes das associações participantes, etc. Muitos blocos desfilaram nas ruas da Vila Esperança.
O Nenê, ou a Escola de Samba do Nenê, que eu me lembre, nunca participou dos desfiles na Vila Esperança, ou seja, os desfiles eram de Blocos e não de Escolas de Samba, e os temas eram baseados nas marchinhas carnavalescas do ano. Algumas vezes que assisti os desfiles da Escola do Nenê, era uma participação especial, ou seja, fazia somente uma passagem. Quando o samba do Nenê passava, o chão tremia, o sangue fervia, e todos sambavam.
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