Minha querida São Paulo

São Paulo, bela e exuberante cidade de contrastes inúmeros, testemunha viva do resultado do trabalho de um dos maiores grupos heterogêneos do planeta, de todas as nações, de todos os continentes, de criaturas as mais exóticas possíveis e dos mais distantes rincões deste mundo.
Contrastando com o velho mundo, a Europa, no que se refere a saudade de um tempo que não volta mais, nós, aqui em São Paulo, de uma forma geral, não específica, é evidente, sentimos muito mais do que eles a dor de uma saudade, dos bairros, praças, das avenidas, ruas, entretenimentos que marcaram nossa infância e juventude, nosso início de vida, escolar, profissional, enfim, o aprendizado em todos os sentidos, cuja principal testemunha é o fato de estarmos vivos, escrevendo, lendo etc. Nós, durante todo o século 20 não tivemos guerra, 100 anos de paz. Enquanto que na Europa, duas guerras mundiais, daquelas de arrebentar, estraçalhar e eliminar no espírito do cidadão, toda e qualquer crença espiritual, isso se ele ainda tinha. Quem quer ter saudade dessa época?
Nós aqui em São Paulo podemos ter nostalgia dos nossos tempos. Apesar dos pesares, mesmo sentindo os efeitos dos grandes conflitos mundiais, graças a Deus, somos saudosos.
Aqui não precisamos só lamentar por ele, o tempo, pois essa tentacular e surpreendente metrópole quase nos faz esquecer os bons tempos em virtude da “velocidade” com que ele passa. Essa aparente ilusão solidifica a alcunha que São Paulo agasalha há muitos anos, “São Paulo não pode parar”. E nós podemos valorizar nossas recordações, usufruindo das múltiplas ofertas de lazer que a cidade oferece. Olhando para os quatro cantos da cidade deparamos com atrações pra quaisquer faixas etárias; alem dos jardins do Ibirapuera, do Vila Lobos, Jardim da Luz e um grande número de teatros, cinemas, espetáculos musicais que a gente só ouvia falar e nunca assistir, orquestras sinfônicas ao alcance de todos, centros recreativos e culturais, restaurantes de fama internacional, (até alguns meses atrás tínhamos o “Bingo”, mal administrado, precisando de regulamentação… esperamos que não tarda muito pois era a grande atração, principalmente para os veteranos…) uma população que, em menos 60 anos, pulou de 1 ou 2 milhões pra mais de 15 milhões, Devemos honrar esse tempo passado (e muito bom, diga-se de passagem…) com a valorização do que surgiu no após-guerra, trazendo mais conforto, saúde, melhoria de vida, (estamos vivos ainda, né?). Naquela época, viagens de avião (que também caiam…) só pra quem estava, não bem, mas muito bem de vida. Excursões e piquenique só pra Vila Galvão, Santos etc. Os idosos não tinham as prerrogativas de que hoje desfrutam, como condução grátis, meia-entrada pra tudo, rampas em lugar de escadas, preferência no atendimento bancário, hospitalar, supermercados, respeito, muito respeito… (eu mesmo já fui agraciado várias vezes) etc. É claro que a fim de determinar uma regra, devemos aceitar as exceções inevitáveis, mas compensam e muito, e não podemos esquecer que a receita de um prato raro, bem preparado e muito gostoso, prescinde de ingredientes que, se forem degustados isoladamente, seriam intragáveis, mas na companhia de outros e bem dosados, se transformam num formidável e apetitoso prato. E pra isso São Paulo não tem rivais e nem parâmetros: é o melhor do mundo.

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