Depois que conheci esse site, aumentou o gosto por recordar! Lembrar das coisas alegres e, por que não, das coisas tristes também. Lembrar dos acertos da vida e também dos erros, para tirar lições para o presente, e para o futuro, quem sabe?
A adolescência é um campo fértil de lembranças: a primeira namorada, os encantos do primeiro amor e a primeira desilusão permanecem; esquecidas. O que recordei por ler os escritos do jornalista Nelson Valente, e os arquivos do professor Mário Lopomo, foi a minha iniciação na política.
Deu-se 1953 meu início na política. Naquela época, para democratizar o voto, o eleitor tinha que ir munido de cédula, para não ter de escrever o nome do candidato. As cédulas eram distribuídas nas ruas no dia da eleição, os mais velhos devem se lembrar. Quem conseguia colocar banquinhas distribuindo cédulas pela cidade inteira era capaz de se eleger sem antes ter feito campanha, e várias pessoas iam votar sem ter muita ideia do que estavam fazendo.
Eu assumi uma dessas banquinhas, distribuindo cédulas em troca de uns trocados e um pequeno farnel: um misto frio e uma crush. Hugo Borghi, Ademar de Barros, Getúlio Vargas, Brigadeiro Eduardo Gomes, Plínio Salgado, Hubert Levy, Emílio Carlos, Marechal Dutra e Lucas Nogueira Garcez e Auro de Mora Andrade e Lino de Matos, Carlos Lacerda, Carvalho Pinto, Ivete Vargas, Padre Calazans, Faria Lima, e Prestes Maia foram os políticos recordados pelo nome…
Segui na atividade, estudante, eleitor, e leitor. Hoje recordo os principais feitos e características dos políticos de outrora e de agora. Os nomes? Esqueci; até o latim que havia estudado no ginásio; e a "diabetes mellitus" despreza a faculdade da memória.
Havia um estrábico, que a pretexto de usar a vassoura para limpeza, sujava os ombros com caspa artificial. Entornava o caldo. Entortava o corpo depois. Comunicava-se. Mandava bilhetes. Bebia! Dormia! Roncava! Enfrentava seu inimigo, o narigudo da urna Marajoara, o qual iniciou quinto poder, "Rouba, mas faz". Um veio com um banco, construiu um baú. Não havia tanto ladrão de banco, banqueiro, e ladrão do banco!
Houve um que veio de fora, sem a família, e empregou todos os parentes. Chegou como quem não queria nada, e levou tudo. Ganhavam pouco, muitos na loteria. Davam eletrochoque e assinavam laudos. No início era o verbo, depois a verborragia. Usavam fardas. Vestiam terno, e dez por cento. Bater e arrebentar, os verbos prediletos.
Um trouxe a justiça, tornou-se um criminoso. Estuprava, mas não matava. Saiu ileso dos processos. Engavetava. Estornava. Esquecia. Roubava, mas fazia! Amigo do sobrinho do narigudo da urna Marajoara. Este imitava o tio em tudo, até no nome.
Houve um gordo que entendia de economia, aumentava a barriga, crescia o bolo, e não dividia, não dava nem um pedacinho.
Conheci o de saco roxo. Desvirginava garotas inocentes, menores indolentes. Fumava maconha. Cheirava cocaína. Seu amigo careca acobertava tudo, de fora só o bigode, na mão direita a mala preta, na esquerda a laranja.
Surgiu o que ficou pra tio, ressuscitou o fusca, o topete, e mulher sem calcinha no palanque.
Havia o assistente daquele que cantava o hino com a mão no seio da pátria amada. Mamava escondido nas tetas da viúva. A mulher mandava. Enganava. Vendia frango. Tomava passe e posse abertamente. Pitava escondido.
Houve um, muito culto, que originou um "diz que me disse". Disse, depois disse para esquecer o que havia dito. Na Castelões, do meu velho bairro do Brás, comia pizza, de sobremesa marmelada.
Vendeu as estatais na bacia das almas para alguns vivos. Seu colega, a pretexto de trazer saúde, trouxe a doença. Sabia tudo e não dizia nada, o outro dizia tudo e não sabia nada, o que ocorria em torno.
Chegou um torneiro. Pai de um filho gênio, com aptidão natural para jogos. Fechou o bingo. Pretendia entrar na história dos esfomeados, até cartão de crédito de fome fez. Escutava. Falava, e se fazia de surdo.
Experimentamos homens grandes que perderam as agendas comprometedoras. Anões do orçamento feitos na gráfica do senado. Um cabeludo que deixou de operar e iniciou a cantar ópera. O que havia feito cirurgia plástica caiu a máscara da cara, dançou. Trocara a mala preta por cuecas largas para esconder todas as partes.
A sexóloga taxava sexo. Dançou um samba malemolente por muitos anos, trocou por tango franco argentino, atualmente esta à procura de novos ritmos.
Chegou outro, diz que sabe. No lugar de quem iria ficar quatro e ficou um. Fora promovido.
Uns foram cedo. Outros já foram tarde. Alguns estão ainda aí, e outros ficarão para sempre… No colo da mãe gentil! Pátria amada Brasil…
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