Nasci em Itaquera, em 1951

Meu nome é Terezinha Rosa Brandão, nasci em Itaquera, em 1951, fui batizada na Igreja N. Sra. do Carmo, morava na Rua N. Sra. Aparecida, uma travessa da Rua Jacu.

Ia pela Rua Sábado D’Angelo, que era de terra, até a venda da Elza e do Hatori comprar querosene para ascender o lampião, pois não tinha luz. A nossa água era de poço, que saudades…

Para curar uma tosse comprida que eu tinha, o meu pai me levava até o calipal, ou seja, onde tinham eucaliptos para que eu pudesse aspirar o clima, e fiquei curada. A minha família, tios e primos (pois os meus pais já faleceram) ainda moram lá. Eu não mais.

A minha avó, D. Mariana, era parteira, e na época todas as crianças nasciam nas mãos dela.

Quando os sítios começaram a serem loteados, todos os meus tios e meus pais compraram terrenos na mesma rua, por isso toda a minha família mora um grudadinho no outro até hoje.

Para aproveitar a água de uma bica que vinha mais ou menos lá do local onde hoje é a COHAB, um dos meus tios fez na época uma piscina, e eu, assim como todos os meus primos, nadávamos muito.

A minha infância lá era diferente, nós catávamos peixinho no corguinho, colhíamos taboa, uma planta que só dá no lodo. A minha avó criava cabras e todos os netos, inclusive eu, tínhamos o nosso cabritinho.

Os meus tios faziam no mês de junho grandes fogueiras com batata doce, milho assado, quentão, muita bombinha, e um dos meus tios fazia vender numa barraquinha que ele montava coisas das épocas das festas.

Tinha também o Dia de Judas, quando se usava a roupa de um tio que era muito alto para se vestir o Judas. Tinha o pau de sebo, a malhação do Judas e muita brincadeira.

Lá na época se plantava o milho e se fazia a verdadeira pamonha, o curau, o milho assado.

Quando cresci morava em outro bairro, mas nas minhas férias era para lá que eu ia, e até hoje é lá que vou para tirar o meu estresse e relaxar.

Quero aproveitar o momento e homenagear meus tios e tias, pois eles me fazem trazer de volta a minha infância. A todos os meus tios e tias deixo o meu muito obrigada pela infância que me proporcionaram. Não deixando de homenagear em especial meu tio Roberto, que já está com papai do céu. Amo todos vocês…

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