Minha adolescência no Braz

Nasci na Rua da Alfândega, mas muito pequeno ainda fui morar em outro bairro. O destino me fez voltar quando fiz catorze anos. Não foi um retorno dos mais felizes, pois meus pais tinham se separado, e esse era o motivo da mudança.

Cheguei todo desconfiado, sem conhecer ninguém, com toda a timidez da adolescência e ainda com o coração machucado pela separação dos meus pais recentemente. Foi uma fase difícil, pois queria me enturmar e não sabia como.

Foi aí que me apareceu a oportunidade de conhecer as drogas, que eu achei que fossem o caminho.

Com o passar do tempo, realmente fiz muitas amizades e me enturmei de fato. Mas foi uma escolha dura. Fui preso diversas vezes e internado em clínicas de recuperação, que não recuperam ninguém, outras tantas vezes. Consegui fazer as tão sonhadas amizades, mas ao mesmo tempo essas mesmas amizades me davam as costas.

Não foram todos, ainda guardo muitas boas recordações desse tempo e muitas boas lembranças também. Lembranças do Liceu da Rua Oriente, onde estudei. Lembrança de amigos de verdade que aí deixei, como o Linão, o Marcelo, o Beto do seu João, o Marcos Baruk, o Busté, o Sapo, o Nelsinho, o Tuéta, o Didíu, e muitos outros, como os falecidos e inesquecíveis Walter Di Matteo e Pascoalzinho. Saudades também dos irmãos Vincenzo, o Vitché e o Pascoal Palumbo, que moraram no mesmo prédio que eu, o São Vito da Rua do Lucas. Saudades também das queridas amigas Rosa, Elvira e Sandrinha, essa um carinho especial, a Francisca, a Lenita, a Isabela, a Ilda, a Preta, a Hanako, e muitas outras que me perdoem, pois lá se vão uns 25 anos…

Hoje moro no estado do Tocantins, mas quando vejo pela TV lugares por onde andei e passei, as lágrimas são inevitáveis…

Gostaria muito de poder um dia voltar ao meu Braz inesquecível. Quem sabe um dia…

Estou tentando recuperar a vida que quase perdi. Voltei a estudar, depois de muito tempo. Acho que vou ser feliz novamente um dia. Para Deus nada é impossível, não é mesmo?

Um grande abraço a todos que passaram pela minha vida de alguma maneira.

Wilsinho

e-mail do autor: [email protected]