Retorno ao tema da migração. O termo migrar significa mudança periódica, ou passar de uma região para outra, ou de um país para outro. O migrador, diz-se das espécies de animais que mudam periodicamente de região, que migram. Processo migratório que é referente à migração.
Já a imigração, ou o imigrante; pessoa que imigra, imigrar, entrar (num país estranho) para viver nele. Se olhar daqui, o ser que imigrou; se olho de lá, emigrou (saiu de lá). Sair da pátria para residir em outro país. E a emigração, mudança de certos animais de uma região para outra. Quando se diz emigração, no caso de pessoas, quer se referir a: deixar seu país voluntariamente para viver em outro país nem ser forçado a isso, já que ser forçado seria extradição.
O raciocínio serve para trabalhadores que emigram ou imigram de um estado para outro; saiu de Santa Catarina para ir morar em São Paulo, emigrou; Em São Paulo diz-se se tratar de um migrante; ou vice-versa como é comum hoje em dia; e se chegou de fora seria um Imigrante, de um outro país vindo para cá. E emigrante, o que saiu de lá.
Este processo migratório e imigratório ocorreu muito no Brasil no pós-fim da escravidão, para suprir a mão-de-obra escrava. Era de interesse dos fazendeiros que a operação fosse consentida pela autoridade, a fim de poder exercer sua atividade produtora. Com escassez não se pode dispensar da mão de obra.
Há estados brasileiros que têm interesse na emigração, pois do contrato com esses profissionais, se fazem os trabalhadores locais aprenderem um ofício. Depois dessa formação, são literalmente dispensados. Se existir mão-de-obra farta em um estado, por iniciativa pessoal, o trabalhador se desloca para outro que necessite de mão-de-obra. Os habitantes deste estado não se importam se o trabalhador emigrar para outro; é uma decisão pessoal.
Como se sente o migrante? Vejam que a situação é diferente: dependente do caso e do interesse que está em jogo.
A história das civilizações está cheia desses relatos. Os habitantes nômades mudam de local para conduzir seus rebanhos à procura de melhor alimento. O sair da sua pátria, indo para outra, conforme o relato bíblico do patriarca Abraão, tem outro significado.
Livro do Gênesis, Cap. 12. "Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que te mostrarei. Eu farei de ti um grande povo, eu te abençoarei, engrandecerei teu nome; é uma benção!. Abençoarei os que te abençoarem, amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. Por ti serão benditos todos os clãs da terra."
Em 21/09/07 uma história que redigi foi publicada neste site, sob o titulo “Migração indesejada”.
Referi-me ao tratamento dado ao migrante, que vinha em busca de melhores condições de vida e de trabalho. Não vamos entrar aqui no mérito, se foi demasiada a migração tornando-a indesejosa, ou se o estado não se programou para acolher um grande número de migrantes.
Sabemos, por intuição, que muitos migrantes eram e são bem quistos quando chegam, pois vem suprir uma necessidade de trabalhadores em determinada função. Claro que ninguém deseja um migrante que venha para perturbar a ordem, não é mesmo?
Como me senti sendo um migrante? Ora, procurei me adaptar às condições de vida local, ou seja, no centro de São Paulo e em bairros próximos, como o de Santo Amaro e do Bráz. Quando se trata de sobrevivência, não se fica a pensar se somos aceitos ou não. Só quem olha de fora, constata se a migração é bem-vinda ou rejeitada.
Assim, respondendo a uma indagação recente, escrevi esta pequena história para ilustrar a situação do migrante. E digo com convicção que no meu caso, São Paulo ganhou com a minha migração e SC perdeu com a emigração. Depois, mais tarde, tudo se resolveu.
Ficou na memória apenas esta condição de ser migrante… Saiu de sua terra!
Uma mescla de pessoas nascidas em lugares diferentes, mas todas com o mesmo propósito. Sobrevivência para muitos e colaborando, ao mesmo tempo, com a riqueza alheia, do Estado e da cidade de São Paulo, de maneira tão incompreendida por aquele dono de loja da cidade paulistana… Foi o que escrevi ao concluir aquele texto.
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