Religiosamente, todos os domingos, com raras exceções, almoçávamos na casa da minha avó, na Barra Funda. Morávamos em Pinheiros, na Cardeal Arco Verde, que naquela época (1958) subia em direção a Dr. Arnaldo. A rua não era asfaltada, era de paralelepípedos.
Minha família era formada pelos meus pais e por três filhos, Tonhinho, Lucilia e eu. O Toninho, por ser mais velho, muitas vezes não ia com a gente. Minha avó morava na R. Conselheiro Brotero, esquina com a Rua Barra Funda. Aos domingos encontrávamos com todos os primos, tios e tias.
No almoço minha avó fazia um macarrão com frango que era uma delícia. As crianças ficavam brincando na rua enquanto minha mãe e suas irmãs ajudavam no preparo do almoço. Meu pai e meus tios ficavam em frente, num bar conversando e tomando cerveja. A sede da camisa verde e branco era um pouco acima da casa da minha avó e a gente ia às vezes ver os ensaios.
A família da minha mãe era toda corinthiana, com exceções: eu, meu pai e o torcíamos pelo Palmeiras. Quando tinha jogo do Corinthinas ou do Palmeiras no Pacaembu, a gente ia e voltava a pé. Na hora do almoço, sentávamos todos na mesa e era uma alegria só.
Depois do almoço, às vezes, íamos ao cinema que podia ser o Cine São Pedro, Esmeralda ou o Santa Cecília, às vezes íamos também ao Circo do Piolim. Tinha uma tia que trabalhava na Cia Serrador que era dona do Cine Esmeralda e quando ela estava de plantão a gente não pagava ingresso.
Lembro que no final da tarde na Record passava o programa do Vicente Leporace acho chamava Grande Gincana Kibon, tinha também as tardes esportivas com o Raul Tabajara. No final da tarde cada família pegava seu destino, minha tia Luzia morava em Perdizes, minha tia Wanda na Aclimação, minha tia Odete na Barra Funda, meu tio Geraldo em Guarulhos, meu tio Jango e o Humberto ainda moravam com meus avós.
Mas o melhor ainda estava por vir. Todo domingo depois de ir à minha avó, meu pai nos levava para jantar no Restaurante Giovani, que existia na esquina da São João, ao lado do Cine Metro. Era o máximo! Eu tinha então seis anos e sempre pedia lasanha verde a bolonhesa, um suco de laranja e de sobremesa uma cassata. Não tinha prato melhor para mim! Sentávamos no balcão em bancos altos, as paredes em frente tinham uns desenhos de pessoas comendo macarrão e que eu ficava observando. Até hoje depois de mais de 50 anos lembro-me como se fosse hoje…
Éramos sempre atendidos por um garçom italiano, nós o chamávamos de Giovani, (não sei se esse era o seu nome verdadeiro). Ele nos atendia com muita cordialidade, e como ficamos nessa rotina por muitos anos, podíamos dizer que ele era nosso amigo.
Esse restaurante me marcou por toda a vida, eu nunca deixei de freqüentá-lo, inclusive levando meus filhos. Um certo dia por volta de 1981, já casado, fui almoçar com familiares em São Bernardo num restaurante italiano que existia às margens da Via Anchieta. Tive a felicidade de reencontrar o velho garçom, á como proprietário do estabelecimento.
Lembramos com saudades daqueles tempos e nunca mais o vi. Quanto ao restaurante Giovani, continuei a freqüentá-lo até o seu fechamento definitivo, fato este que muito me entristeceu, pois para mim eles faziam a melhor lasanha de São Paulo.
Passados mais de 50 anos, meus tios e alguns primos já faleceram. Por residir em outro Estado, perdi contato com os que ainda estão vivos, mas as lembranças daqueles tempos estão sempre presente no meu coração. Nunca os esquecerei.
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