Fico emocionado ao falar do bairro, onde cresci, onde estudei, onde fiz amigos, onde vivi os melhores momentos de minha infância.
A primeira namoradinha, as "brigas", com os meninos da Rua do Hipódromo, que eram esquecidas ao primeiro chamamento para uma boa partida de futebol, embaixo de sol ou de chuva, que invariavelmente, acabavam em novas brigas.
As festinhas, ao som da vitrola e LPs, tempo de ABBA, BEE GEES, Os Embalos de Sábado a Noite, etc. Saudades do Romão Puigari, do Padre Anchieta, de seus monitores e seus professores.
Tempo de desfilar com a camisa do Timão, comemorando o título de 1977, que farra…
Acompanhávamos de longe a chegada de muitos nordestinos, vindo em busca de sonhos para São Paulo, e a viagem de volta de poucos para sua terra natal, com a marca da desesperança, estampada em suas faces. Tempo de rodízio de pizza no Grupo Sérgio, onde a turma se empanturrava de pizza de mussarela, depois do cinema.
Tempo da descoberta da sexualidade, onde entre os amigos, se era permitido contar as maiores mentiras com relação às meninas da rua…
Tempo das escapadelas do bairro, para passear por São Paulo, num grupo de 10 a 12 crianças, monitoradas pelo irmão ou pela mãe de alguém. Parque Dom Pedro, Mercado Municipal, Av. São João, Ipiranga, Cine Regina e suas matinês. Praça da República, passeios de ônibus, parada para o lanche, a volta para o Brás. Tempo das baforadas escondidas num único cigarro, que culminavam em crise de tosse e engasgo coletivo.
Tempos idos, não voltarão, mas, jamais serão esquecidos.
Estou longe, mas não perco a esperança de rever algumas caras, matar saudades, andar por ruas que marcaram minha vida.
Saudades de uma São Paulo, que o progresso aos poucos foi encobrindo…
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