Damião, um velho amigo meu, vivia ultimamente meio que aborrecido. Seu casamento de quase 25 anos não ia bem. Ele e sua mulher constantemente discutiam. A harmonia, que sempre imperou naquela relação, não existia mais. Não era mais a mesma coisa.<br><br>Conversando com um amigo sobre seus problemas com a mulher, ouviu deste a seguinte recomendação: “Damião, porque você não cria um fato novo? Por exemplo, muda de casa. Às vezes, uma mudança de ares pode trazer novas motivações para a sua relação”. “É, talvez você esteja certo. Quem sabe se a gente mudar de casa, as coisas mudam”, ponderou Damião.<br><br>E, assim, pôs em prática esse novo projeto, na busca do salvamento da sua relação conjugal. Tratou, no dia seguinte, de buscar uma imobiliária atrás de uma nova residência, sem que a mulher soubesse. Queria mesmo fazer-lhe uma surpresa. Afinal, era a sua esperança de salvar o casamento.<br><br>Só que havia um problema: o dinheiro era pouco, e dependia de vender a casa onde vivia, lá pras bandas de Americanópolis. Além disso, a nova casa tinha que ser por ali mesmo, pertinho do emprego, sem correr o risco de ter que ficar enfiado duas ou três horas diariamente dentro de um ônibus, feito sardinha em lata, pra chegar ao trabalho.<br><br>Mas, corretor que é bom sempre encontra uma solução. E, assim, foi naquela imobiliária conceituada no bairro. Não passou uma semana e lá estava o corretor, com três indicações de imóveis, todos à altura de Damião.<br><br>Sábado seguinte, saía Damião, então, rumo aos imóveis indicados. Saiu logo cedinho.<br><br>A primeira casa até que era boa, mas a rua não agradava. Muito trânsito, muito barulho. Já a segunda, a rua até que era tranqüila, mas a casa é que não prestava: tinha infiltração em tudo que era cômodo. Rachadura no teto. Azulejos da cozinha e dos banheiros todos soltos. Paredes descascadas. Portas sem batente. Não prestava mesmo. Teria que gastar um dinheirão pra consertar tudo aquilo.<br><br>Bem, restava então a terceira casa para ver. E parecia mesmo que o corretor tinha reservado essa para o final; afinal, corretor que é bom mesmo saca logo o seu cliente, mas sempre usa de técnica. E não é que Damião se agradou da casa e, sobretudo, da rua?! Tudo de acordo. E realmente, a casa dava no jeitinho. Todinha bem cuidada. Pisos e azulejos novos na cozinha, na área de serviço e nos banheiros. É isso mesmo, banheiros! Dois! Um dos quartos era uma suíte, daquelas bem caprichadinhas, com ducha e até mesmo uma banheira. Coisa fina.<br> <br>Damião se encantou! E não só pela casa não! A casa pertencia a uma jovem senhora, recém enviuvada, Duvalina. Uma moça, assim digamos, bem ajeitada, bastante simpática e extrovertida. Despachada, Expedita! Uma pessoa jovial e alegre. Queria vender a casa que havia ficado um pouco grande depois do falecimento do marido. <br><br>Damião foi pra sua casa para pensar naquela opção de residência nova, tentando dar uma solução em definitivo para seu matrimônio. <br><br>E não é que deu mesmo?! Damião não só trocou de casa como de mulher. Está residindo naquele sobrado de azulejos e pisos novos, com suíte com banheira e ducha, com a nova mulher, Duvalina. <br><br>Esse é meu amigo, Damião. Um homem simples, de soluções simples.<br><br>e-mail do autor: [email protected]