José Jorge da Silva, ou Mestre Jorge. Meu avô era sapateiro, depois de ter sido agricultor no sertão cearense. Migrou para São Paulo nos idos de 1950, na esperança de um futuro melhor. Apenas ele, a esposa, Ana, e o filho Jorge, pois os três filhos mais velhos ficaram no Ceará. Sofreu muito com a seca, a ponto de um dia sair sem rumo com a esposa e três filhos pequenos, como Abraão a procura da Terra Prometida, mas o seu destino, mais tarde, seria a São Paulo das oportunidades.
Não sei como aprendeu o ofício de sapateiro, mas era mestre na arte de consertar sapatos. Um serviço extremamente bem feito. Apesar das dificuldades, procurava comprar material de qualidade, pois creio que, além de zeloso, era um perfeccionista. Às vezes, levava alguns calotes, mas nem por isso deixou de fiar serviço para aqueles que não podiam pagar na retirada do conserto.
Tinha mal de Parkinson e lembro, mesmo muito criança ainda, que às vezes ele se cortava quando estava trabalhando ou mesmo fazendo a barba.
Mestre Jorge, como muitos o chamavam, era um sonhador. Viajou muito, para outros estados, à procura de dias melhores, mas sempre voltava para São Paulo, pois, mesmo diante das dificuldades, era aqui que ele tirava o pão de cada dia, do seu ofício, que desempenhava com tanto zelo. Ana, a esposa, era o Feijão e Meste Jorge, o Sonho, o "Campos Lara", o Sonhador.
Que saudade do meu avô!
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