Fácil é hoje ir ao supermercado, em cada esquina tem um. Mas lembro bem que em meados dos anos 1959 (faz tempo…) só haviam algumas vendinhas, como na Rua Maria Dometila, a venda do "seu" Antonio, homem bom, e tudo se vendia naquele comércio. Era uma festa comprar a famosa mortadela aos sábados, mas se fosse hoje com certeza a vigilância sanitária talvez fechasse o pequeno estabelecimento. Quem o conheceu sabe bem! A faca de corte era comprida, fina e bem afiada, pois não tinha a máquina para cortar, e a bolonha era cortada na mão mesmo. E aí, quando dava aquela coceira nas costas… o atendente parava de cortar a mortadela e coçava as costas com a faca!
Na Rangel Pestana tinha o açougue do "seu" Atílio, quem não o conheceu? Naquele tempo as carnes eram embrulhadas em jornal. Tudo era difícil… Os dois irmãos floristas velhos italianos, com sua floricultura logo após o açougue, lugar florido, mas escuro, o joalheiro Alonsito, bom não vem ao caso…
O melhor dia era a terça-feira. Eu e minha mãe Carmen, íamos ao Mercadão, com um carrinho de feira bem grande e reforçado, além de uma sacola de lona. Íamos atravessando o jardim, tudo a pé, que carro que nada! Que alegria era ao adentrar naquele mercado, o cheiro sempre foi bom, era um misto de ervas e frutas, que delícia!
A primeira parada era para comprar o óleo no garrafão, minha mãe pagava e deixava lá para pegar na saída. Ai passeávamos pelo Mercadão, mas tínhamos as bancas certas para a compra de azeitonas, orégano, queijo, pão italiano, manteiga "da boa", lingüiça, morcilla e de tudo que se usa numa boa cozinha.
Por último, nunca poderia faltar, as flores para casa: rosas, cravos e branquinhas. Era bem divertido, pois o jovem dono da banca quando via minha mãe, já fazia menção de tocar castanholas. Hoje parece loucura, mas com um cravo em seu cabelo e balançando sua saia, ela sapateava e dançava. Minha mãe dava um show e todos se reuniam por um momento para bater palmas dando seus “olé, olé”. Ela era muito simpática, alegre e caridosa também.
Hoje quando entro no mercado, percorro com os olhos por onde passávamos tão felizes…
E-mail: [email protected]