A minha história começa quando eu resolvi me aventurar como vendedor, apesar de estar empregado numa metalúrgica lá no bairro da Lapa. Acontece que eu estava de férias na empresa, eu estava prestes a me casar, então qualquer extra que entrasse seria bem vindo.<br><br>Certo dia me levantei cedo, tomei meu café, disse pra minha mãe que ia pra cidade arranjar algo pra fazer, já que eu estava sem fazer nada de útil. Dirigi-me lá para o ponto de ônibus da Vila Zatt, onde eu morava. Peguei o ônibus, desci na Praça Ramos, ponto final.<br><br>Passei em frente a uma banca de jornal, comprei o Diário Popular, jornal esse que trazia anúncios de empregos. Fui lá para a Praça da Sé, me sentei em um banco em frente à Catedral e comecei a folhar o jornal, Um anúncio me chamava atenção: Era um emprego de vendedor de “bugigangas”: sabonete, pasta dental, desodorante, creme de barbear, enfim um monte de coisa.<br><br>O prédio que recrutava candidatos a esse emprego ficava na Rua Quintino Bocaiúva, próximo da onde eu estava. Dirigi-me até lá, me apresentei como candidato, fui bem recebido pelo dono do comércio, que me apresentou dois rapazes. Eles eram dois irmãos da Vila Carrão, e os mesmos me orientaram sobre as vendas.<br><br>Já fui logo dizendo que nunca havia vendido absolutamente nada na minha vida. Pegamos um ônibus por ali mesmo em direção ao bairro da Penha, que eu conhecia pouco, de passagem quando ia a São Miguel Paulista visitar parentes que ali moravam. <br><br>Chegamos à Penha e um deles me acompanhou para ver o me desempenho como iniciante, ver como eu sairia como vendedor. Visitamos algumas casas, o rapaz me deu umas dicas, que eu ouvia atentamente, como um aluno. Ele me disse que ia pegar uma outra rua, eu pegaria outra, marcando a hora e local para a gente se encontrar.<br><br>Eu visitei uma casa e nada… Outra e nada vendi também… Na terceira, dei com os burros n'água. Nessa casa, ao me aproximar do portão, bati palmas e logo o dono me xingou lá da sala da casa dele. Estava um “bafafá” lá dentro e eu acabei saindo de fininho. Ao lado da casa, tinha um senhor já de idade, sentado numa mureta da casa vizinha. Foi quando eu comentei com este senhor: – Moço, o homem daquela casa é uma fera! Ele me recebeu com quatro pedras na mão, será que aconteceu alguma coisa com ele?<br>E o senhorzinho me respondeu: – Aconteceu que a mulher dele foi se embora com outro homem.<br><br>Eu fiquei a pensar: Aonde vim amarrar meu burro! Peguei minha sacola, era por volta das 10h. Peguei o ônibus de volta a sede da empresa. Pedi que conferissem as mercadorias, que estavam todas lá. Então peguei minhas coisas e me fui, não quis mais aborrecer ninguém. Resolvi não ser um vendedor pé frio! Quando me lembro dessa passagem, eu começo a rir! Essa é uma história verdadeira.<br>Um abraço a todos escritores do site.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>