Hoje os comentários são comuns e confirmam que o homem partiu decididamente para adoção de posturas vaidosas.
Do alto dos meus bem vividos 68 buracos, vencidos na estrada da minha vida, não concordo. O homem sempre foi vaidoso e, lógico, sempre existiu a figura do metrosexual, que nos tempos de outrora era chamado de almofadinha ou dândi.
Vamos nos ater às formas de vestir e calçar para comprovar minha afirmação. Antigamente, as roupas, ou fatiotas, eram confeccionadas em lã, casimira linho ou tropical, genuinamente inglês. Os ternos, quase sempre, eram constituídos de paletó, calça e colete. Camisas eram de tricoline, algodão, flanela, linho ou seda. Vieram, posteriormente, as de nylon e a famigerada “Volta ao Mundo”. Camisas sociais ou esportivas portavam, na sua maioria, punhos duplos.
As gravatas, sempre que possível, eram de seda italiana e/ou, para as rotinas diárias, podia-se usar gravatas de “Rayon”. Hoje, por praticidade, os homens investem em roupas de brim (jeans). São calças, camisas, jaquetas, em jeans multicoloridos ou em índigo blues, sempre acompanhados por camisetas de algodão também conhecidas como t-shirts.
Os calçados masculinos também foram se modificando com o passar dos tempos e, para meu consolo, foram enfeando cada vez mais. Calçados eram fabricados em legítima pelica ou em cromo inglês, ou ainda, com todo respeito à ecologia, em couro de crocodilo ou de cobra, com saltos normais ou saltos carrapetas, com fechamento por meio de atacas ou cadarços ou, ainda, zíperes colocados nas laterais externas. Tempos depois vieram os mocassins, que dispensavam os zíperes e eram firmados aos pés por meio de elásticos.
O homem atual, na maioria das vezes, calça um par de tênis que, embora caríssimos, não apresentam nenhuma porção de elegância. Antigamente, o homem elegante usava chapéu e bengala. Ainda eram de uso comum as boinas e os bonés. Hoje as bombetas, ou bonés promocionais, são usados em larga escala.
Agora vamos aos detalhes dos adereços. Eram adereços de indumentária masculina nos tempos de antanho: botões de madrepérola, barbatanas especiais para impedirem que os colarinhos virassem as pontas, abotoaduras de ouro, pedras, prata ou outros metais não preciosos para abotoarem-se os punhos duplos das camisas, alfinetes de colarinho que prendiam os colarinhos por detrás do nó da gravata. Alfinete de gravata, que eram uns broches colocados no corpo da gravata, geralmente com uma pérola na ponta e que davam um belo visual no conjunto, prendedores de gravata que substituíam os alfinetes.
Além desses, outros adereços quase indispensáveis eram o relógio de bolso, os anéis, o lencinho de bolso do paletó e o distintivo ou comenda, colocado na lapela do paletó, os cintos e os suspensórios de couro ou elástico e, em certos casos, as luvas. Hoje, os adereços mais comuns no homem são os piercing’s, colocados nos lugares mais estranhos possíveis, as tatuagens que, atualmente, tomam a maior parte do corpo.
Os cabelos masculinos, nos velhos tempos, eram tratados com muito carinho; topetes estilo Elvis Presley ou James Dean, depois, foram tomando conta das cabeças masculinas. Cabelos mais rebeldes eram emplastados com Glostora no começo e, depois, por Bylcream. Nos tempos modernos, os cabelos espinhados são verdadeiras obras de arte fixadas depois de prontas, com cremes especiais que lhes dão a textura ideal de grandes monumentos.
Agora, depois de todos esses detalhes, me resta perguntar qual geração masculina deve ser considerada mais vaidosa.
e-mail do autor: [email protected]