Memórias térmicas

Desde meus 17 anos as saunas e termas fizeram minha cabeça. Durante minha mocidade conheci várias, das mais sofisticadas às mais fuleiras.
Quando falo em saunas, quero me referir às verdadeiras, não incluindo as que são restritas a homens (executivos??????) e muito visadas pela Policia de Costumes.
Freqüentei, com maior assiduidade, as termas Danúbio (Brigadeiro Luiz Antonio), uma sauna que existia no Bom Retiro que tinha um massagista cego sensacional, uma outra que ficava localizada próximo de onde é hoje o Shopping Interlagos, mas a minha grande favorita era uma Sauna que ficava no meu santo e sossegado (???) bairro, o Bixiga.
Essa casa estava, ou melhor, está localizada à Rua Cel. Nicolau dos Santos (ruazinha de uma única quadra que interliga a Avenida 9 de Julho à Rua Barata Ribeiro, na altura da Praça 14 Bis).
Suas instalações são simplórias e muito antigas, lá existe uma sauna seca, uma sauna de vapor, sempre alimentada com ramos de eucalipto, um tanque para contraste quente/frio e uma ducha bem forte.
A água, enquanto eu lá freqüentei, vinha de um poço artesiano e era puríssima. Acredito que ainda hoje é assim.
Tínhamos ali, além de barbeiro e manicure, os serviços de 2 massagistas. Um deles, carinhosamente apelidado de “Vassourinha”, já fazia parte, naquela época, do Ativo Imobilizado do estabelecimento e seu apelido tinha sido dado em virtude do tipo de massagem (ou será “surra”) que aplicava.
Ele atendia seus clientes (vítimas) dentro da sauna seca, deitava-os em uma velha maca e aplicava a massagem com uma vassoura de ramos de eucalipto e banhos alternados de água quente e fria, utilizando para tal um balde de plástico.
O solário, ou sala de descanso ficava entre o bar e os armários. Eram algumas espreguiçadeiras tipo praia enfileiradas, onde nós, clientes, nos acomodávamos entre os banhos para ler um jornal ou revista degustando uns uma água gelada, outros um chá gelado e outros mais uma velha e espumante cervejinha (eu, por exemplo).
O bar, além das bebidas tradicionais, servia para a seleta clientela vários tipos de sanduíches, asinhas de frango fritas, saladas e, o prato especial, que era uma pescada na chapa que nós devorávamos rezando e tentando recuperar as gramas perdidas durante os banhos e suadouros.
Apesar da simplicidade da casa, sua freqüência era de primeiríssima qualidade, quase sempre podíamos cruzar com artistas globais, entre eles o José Augusto Branco e o Roberto Pirillo, que eram freqüentadores assíduos. Outra figura constante era o velho e querido Primo Carbonari.
Hoje, distante da minha Sampa, não tenho condições de me deslocar para visitar esse recanto, mas garanto que vontade não me falta e, um dia, ainda irei até lá matar as saudades e suar um bocado por que como dizem os franceses é “Bom Suar”.

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