O final dos anos 60 trouxe o chamado movimento da contracultura; isto é, a tentativa de valorização de novos conceitos na arte, na sua expressão mais criativa, cheia de novas cores e novas manifestações de harmonia diferentes dos padrões convencionais.
Época de Guerra Fria, da terrível guerra do Vietnã, a primeira a ser transmitida ao mundo via satélite, chocando a opinião pública em função do lançamento das bombas napalm – aquelas nefastas bombas incendiárias.
Época de movimentos culturais de juventude, tempos das calças jeans, cabelos compridos, recheados de pensamentos capazes de privilegiar a proposta da Paz e do Amor… De críticas ao capitalismo excludente, responsável pela geração de numerosas situações de confronto entre os povos. Época em que também se produziu tantos futuros equívocos…
A Praça da República se transformou, aos domingos, num espaço para feiras de artesanato – uma grande novidade para a época, aquela enorme explosão de cores, muita música, o destaque para a cultura indiana, com batas coloridas, incenso, pedrarias. Pela primeira vez, um espaço alternativo. Alternativo a todos os padrões historicamente estabelecidos, padrões cinzas, sem as grandes vibrações, criatividade e vozes da juventude.
Era inevitável dar um passeio por ali, sobretudo naqueles domingos de sol. Eram chamadas de feiras hippies que, no começo, provocaram muita indignação dos mais tradicionalistas, capazes de dizer que aquilo não era trabalho, era tudo "coisa de cabeludo" e que a "juventude estava perdida".
Felizmente a Praça da República era, de fato, um espaço democrático no meio da ditadura, uma contestação colorida e viva, o espaço da juventude marcar a sua presença através de um trabalho nada convencional, mas criativo, cheio de pulsação, de alegria de viver, abrindo-se espaços para a diversificação dos saberes e de outras tantas numerosas praças de artesanato pelo país. Assim, São Paulo já encantava como veículo de outras tendências, com a imensa alegria de viver e de dizer.
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