Tiveram algumas Exposições que marcaram minha juventude. Entre elas poderia citar Exposição de Presépios Antigos que era realizada nos salões da Galeria Prestes Maia.
Era uma exposição muito bonita, tinha presépios de todas as partes do mundo, mecanizados ou não, mas que serviam de inspiração para o pequeno presépio que eu armava todos os anos, no mês de Dezembro, em baixo da arvore de Natal.
Outra Exposição que me lembro muito foi uma realizada no Cine Odeon, quando ele já tinha fechado as portas como cinema e o Peg-Pag (primeiro supermercado a se instalar em São Paulo) ainda não tinha sido implantado naquele espaço. Foi uma exposição sobre o bicho da seda. Era uma exposição muito bem montada, mostrava todas as fases da criação do bicho da seda, até o efetivo surgimento da seda.
Nessa época eu estava cursando o Admissão no Colégio Frederico Ozanan e a maioria dos alunos da minha classe começou a “cabular” as aulas e freqüentar a exposição onde, alem de horas agradáveis ainda podíamos curtir uns namoricos.
Somente deixamos de freqüentar essa exposição quando a notícia correu no colégio e o Waldemar (secretário, bedel, juiz de vôlei e, principalmente, amigão dos alunos) ficou sabendo. Foi pessoalmente em busca de todos os “gazeteiros” e pessoalmente os entregou na porta de suas residências diretamente nas mãos de suas mães.
O “sabão” que ele nos passou durante todo o trajeto, mais (no meu caso) a surra recebida da minha mãe fez com que por muitos anos eu nasço voltasse a cabular as aulas.
Alguns anos mais tarde, outra exposição chamou a atenção da classe estudantil de Sampa.
“Num conjunto de lojas em um prédio situado na Praça da Republica esquina com a Rua Joaquim Gustavo, foi instalada a exposição do ‘HOMEM E MULHER DE VIDRO”.
Era uma obra prima onde os corpos de um Homem e uma mulher de Vidro, em estaturas gigantescas (cada um devia medir 2/3 metros de altura) onde todos poderiam verificar músculos, ossos, órgãos veias e artérias, inclusive os aparelhos genitais.
Para a época era uma Exposição audaciosa e originou na escola um burburinho agitado quando os alunos foram informados que iriam, em comitiva, visitar a referida Exposição.
As conversas eram eivadas de insinuações e questionamentos. Como seria o comportamento das meninas diante das estatua do homem? E qual seria nosso posicionamento perante elas ao visualizar a estatua de uma mulher totalmente despida?
A agitação continuou até o dia da visita. Nesse dia mercê do pulso firme do Diretor, o Sr. João Batista Negrão, do corpo de professores e, inclusive, do Waldemar, a visita transcorreu num clima de muita seriedade e, embora alguns sorrisos envergonhados ou até maliciosos surgisse de quando em vez, nada de mais maldoso aconteceu.
A Aula que nos foi ministrada sobre todo o organismo humano, as várias doenças que ali eram também expostas com órgãos reais ou não. Doenças degenerativas ou venéreas foram abordadas e explicadas de forma tão clara que não nos permitia nada além da compreensão ou das perguntas em busca de maiores esclarecimentos.
Foi uma experiência muito proveitosa e eu, muito interessado, voltei várias vezes a essa exposição.
Hoje, fiquei sabendo que novamente se realizará, no prédio da Oca no Parque do Ibirapuera uma nova exposição sobre o assunto e me pergunto, será que as estatuas de vidro sentirão vergonha perante o conhecimento, até deturpado, da juventude atual?