O Dr. Renato Paes de Barros no Bibi do Itaim

Num desses gostosos encontros com os Itahyenses, estávamos discutindo e mesmo indo contra as alterações sofridas nas nomeações das ruas e travessas do nosso querido bairro, em especial a partir da década de 50.

Acredito que a alteração que ainda chama atenção e provoca lastimáveis memórias foi à mudança do nome da rua Bibi para rua Dr. Renato Paes de Barros.

Entre tantos e diferentes questionamentos, veio duas das inevitáveis perguntas – quem foi Renato Paes de Barros (?); – o Bibi era o pai Leopoldo ou o filho?

O Dr. Renato Paes de Barros nasceu em Itu, no ano de 1885. Fez seus estudos primários e secundários no Colégio Arquidiocesano. Foi Professor e Delegado de Polícia de 1902 a 1912. Em 1915 exerceu o cargo de professor da Escola Normal de Casa Branca, ocupando a cadeira de História e Geografia tendo escrito e publicado a história e a geografia do Município de Casa Branca. Ocupou cargo de destaque no Conselho Administrativo do Estado.

Como Procurador Geral da Justiça, publicou vários trabalhos jurídicos. Foi também conselheiro do Conselho Técnico de Economia e Finanças, onde elaborou estudos sobre Economia Estadual. Trabalhou no setor da Previdência Social onde foi administrador da Caixa da Sorocabana, realizando obras de amparo ao ferroviário. Foi o fundador do Instituto de Direito Social, em São Paulo. Quando ocupava o cargo de Procurador Geral da Justiça, elaborou o Código do Ministério Público. Faleceu em Roma, em 18 de setembro de 1951.

Já o Bibi, – Leopoldo Alberto Couto de Magalhães Júnior -, nasceu no ano de 1871 e morou no Itaim Bibi. Pertenceu a tradicional família paulista organizadora da Chácara do Itaí, depois distrito de Paz de Itaim, (1934), agora bairro do Itaim Bibi. A denominação Itaim Bibi presta-lhe homenagem e diferencia o bairro de um outro homônimo, o Itaim Paulista.

O Bibi era filho do médico Leopoldo Alberto Couto de Magalhães, este o irmão do general brigadeiro Jose Vieira Couto de Magalhães, o nosso último presidente da Província de São Paulo, durante o segundo império.

Sendo do clã Couto de Magalhães, ajudou a fundar, urbanizar e lotear
o bairro Itaim Bibi, a partir da década de 10. Casou-se com Dona Zulmira Couto de Magalhães, com quem teve os filhos Agenor e Arnaldo. Faleceu na Capital Paulista em 30 de julho de 1961.

Atualmente sua figura nomeia a antiga rua do Porto, antes chamada de rua dos Aliados e bem antes conhecida como o Caminho dos Aliados, isso na época jesuítica de piratininga, ligando a região da margem superior direita de um córrego (Sapateiro) ao rio Jurubatuba, este denominado pelos padres como rio dos Pinheiros.

Próximo a tal caminho, (dos aliados), situava-se em um ponto mais alto, o aldeamento indígena responsável pela vigia e defesa de possíveis invasores ao Sítio dos Pinheiros, quando vindos fluvialmente pelo rio dos Pinheiros, pelos córregos e outros caminhos distribuídos pela várzea. Essa área de importância histórica e arqueológica, hoje se encontra perdida, escavada, revirada e invadida entre a av. Horácio Lafer, sob imponentes edifícios, um enorme estacionamento para carros, lateral ao fundo do terreno tombado pela CONDEPHAAT, – a Casa Bandeirista -, e a veloz nova av. Brig. Faria Lima.

A atual rua Leopoldo Couto de Magalhães Junior, inicia-se na av.
Pres. Juscelino Kubitschek, terminando próxima da av. Henrique Chamma, alí no Parque do Povo, que por sinal passa, desde 2006, por um sofrido processo de revitalização pela PMSP.