Lendo alguns dias atrás os textos deste querido site, deparei-me com um intitulado “Vila Clementino – anos 50”, de autoria de Joaquim Ignácio de Souza Netto. A narrativa foi mostrando-me lugares também por mim frequentados na infância. Locais onde, com total alegria, gozei várias das minhas festas escolares.
Ao final da leitura, imbuído da certeza de conhecer todas as paragens tão bem descritas pelo autor, comentei o texto e confessei minha emoção ao fazer a leitura. Falei que também havia estado por ali e citei o nome das pessoas que eu conhecia e que ali residiam.
Dei por encerrado o caso e suas coincidências, e voltei à minha existência cotidiana.
Qual o que, nada havia terminado. Depois de alguns dias, recebi um e-mail onde o Joaquim, em tons incrivelmente amigáveis e de uma enorme surpresa, confessava que conheceras as pessoas citadas em meu comentário e que, além de amigo, era colega de escola do Clovis e do Toninho.
Bem, alguns esclarecimentos, nesta altura, se fazem necessários e eu nunca me negaria a prestá-los.
Nas décadas de 40/50, minha mãe era muito amiga de uma família que residia na Vila Clementino, mais precisamente na Rua Leandro Dupre, local que, para nós, crianças (eu, meu irmão, meu primo e minha prima), era mais conhecida como “chácara do Zé”.
Nessa chácara residiam o casal José e Helle, mais os seus filhos: Toninho (mais velho), Clovis, Marily (afilhada de minha mãe) e Suely (que eu vi nascer). Era uma família sensacional que, mesmo nos momentos mais difíceis, não perdia a alegria de viver e, logicamente, transmiti-la a todos que os cercavam. A convivência com eles, para mim, era de suma importância impar, e eu exercia essa convivência principalmente em meus períodos de férias escolares.
Com o Toninho e o Clovis eu exercia meus instintos de aventura e desbravava as matas que margeavam o córrego que existia ao final da Rua Leandro Dupre. Era por ali, também, que nossos instintos caçadores fizeram e comeram algumas espécies de aves abatidas por pontarias certeiras de atiradeiras feitas com tiras de borracha de câmaras de ar.
Praticamos muitas aventuras e peraltices. Lembro-me que, certo mês de junho, saímos a colocar bombas tipo morteiro em todas as caixas de correspondência das casas da Rua Pedro de Toledo.
O Clovis era o mais brincalhão deles, com sua voz rouca. Numa oportunidade, ensinou-me uma paródia de um jingle de propaganda da Esso, que dizia assim: “Só osso dá a seu carro o máximo, só osso dá a seu carro o máximo. Veja o que o osso faz…”. E nossa vida seguia cheia de alegria e estripulias.
Um dia, em visita à família, já sabendo que eu gostava de dançar, a Marily me fez dançar com uma amiguinha dela (tento, mas não consigo recordar de seu nome), por um dia inteiro, uma música que era o hit da época: Green Door. Gastei as pernas, os pés e os sapatos.
Depois, por culpa da vida atribulada da paulicéia desvairada, fomos crescendo e perdendo o contato.
O Clovis eu encontrei uma vez quando já era diretor de uma empresa em que o Durval, primo da minha noiva, trabalhava e, depois, nada mais soube dele.
Com a narrativa do Joaquim, fiquei tomado de saudade e gostaria, claro, de poder encontrá-los novamente. Tomara que este texto seja lido por alguém que possa promover mais este milagre.
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