Há muitos, muitos anos, meu pai comprou um terreno em um bairro que lhe foi apresentado pelo corretor como Fazenda da Juta. Não era! Soubemos depois que a dita Fazenda era do outro lado da Rua Oratório, divisa entre Santo André e São Paulo. Estávamos do lado de cá.
Ao cruzar a Rua Oratório, logo após um ponto – um cruzamento onde havia uma casa de baterias – chegávamos a tal Fazenda que não era fazenda, mas um amontoado de chácaras que conhecíamos como morrão. Havia um rio e uma lagoinha cujo nome era Meia Lua. Nossa piscina naquelas tardes quentes…!
Pesquei ali. Um dia morreu um cara lá – não vi, mas ficamos sabendo. Morreu afogado após ser tragado pelo lodo do fundo. A juta – planta que produz uma flor roxa, até bonitinha – que se arrasta pelo chão, era cultivada para a fabricação de cordame e sacaria. Os japoneses tiveram enorme trabalho para erradicá-la e substituí-la por novas plantações comestíveis (alface, abóbora, tomate etc.), que era o que o mercado queria agora e não mais a juta, que perdeu seu lugar para o sisal e depois para os cabos sintéticos.
Meia Lua. Nunca entendi esse nome, mas ele nunca me deixou. Acho que o menininho que eu era ficou um pouco por lá, zanzando e pulando na água feito um pato. Os meninos que fomos vão ficando por aí.
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