E lá vamos nós de novo. De volta no túnel do tempo. Depois de ter sido aceito pela galera "metaleira" da Praça Silvio Romero comecei a conhece-la melhor. Era uma espécie de irmandade em que todos veneravam os deuses do rock, mas cada um com o santo de sua predileção. Eu, por exemplo, me tornei super fã da banda australiana AC/DC, que está na estrada até hoje fazendo o melhor hard rock do mundo. Para escrever minhas crônicas gosto de escutar a rapaziada no volume máximo. Minha turma chegou, no auge, a ter uns trinta roqueiros participando, entre meninos e meninas com idades variando dos 13 aos 18 anos. Como é natural entre adolescentes haviam muitos apelidos estranhos. Tinha o Pinguinha, o Rato, o Tartaruga, o Preguiça, o Iron Maiden, o Sabbath e vários outros. Nossos programas de final de semana consistiam em fazer uma festa muito louca na casa de alguém, ir a shows de bandas amigas, ficar o dia inteiro na Galeria do Rock ou curtir o disco novo do grupo favorito. Era um pessoal tranqüilo, ninguém nunca usou qualquer tipo de droga. Nosso único pecado era bebermos demais. O Pinguinha tinha esse apelido porque era chegado numa manguaça e eu tive incontáveis porres de vinho. Nossa, dava uma dor de cabeça horrível. Meu pai me aconselhava a ficar longe de qualquer tipo de droga, inclusive da bebida. Felizmente aprendi a degustar com parcimônia. Outro hobby era passearmos pela feira hippie da Praça da República onde podíamos comprar braceletes, pulseiras, brincos e anéis para compor o visual metálico.
Uma vez comprei um colar que me deu uma alergia terrível no peito. Nunca mais usei nada do gênero. É claro que com tantos garotos e garotas juntos os casais se formavam. Eu namorei com quatro meninas, todas muito gatinhas. O galã da turma era o Iron Maiden, um metro e oitenta, com o cabelo louro batendo na cintura. Num sábado à tarde eu e minha namorada, o Iron Maiden com sua garota e mais cinco amigos andávamos pela Galeria do Rock e tivemos a idéia de comer um lanche no McDonalds da Rua Ipiranga. Aquela loja deve ser uma das mais antigas de São Paulo situada quase em frente ao Marabá. Entramos na fila e fizemos nossos pedidos. Cada um pegou sua bandeja com os sanduíches e nos dirigimos para as mesas. Sentei com minha namorada e dois amigos enquanto os outros foram para os demais lugares. Mal comecei a comer ouvi uma gritaria danada. O Iron Maiden estava se engalfinhando com um cara e ambos tentavam acertar socos e pontapés um no outro. Sua namorada, desesperada, pedia para que o ajudássemos, pois o cara estava acompanhado de mais dois orangotangos. Levantei correndo e sem pensar duas vezes me atirei por cima de um sujeito que ia acertar um pontapé no Iron Maiden. Rolamos por cima das mesas, que no McDonalds são fixas no chão. O gorilão tentando me acertar e vice-versa. Quando ia levar um soco direto no rosto apareceu a turma do deixa disso. O gerente da loja veio ver o que tinha acontecido e ficou aquela troca de ofensas. Meu amigo Iron Maiden dizendo que o cara tinha olhado para sua namorada e o outro falando que não tinha feito nada. Foi aquele mal estar que culminou com nossa expulsão da loja sem que pudéssemos terminar os sanduíches. Isso que é um Mclanche infeliz.