Outro dia escrevi nas Memórias Bixiguenses II, em rápidas pinceladas, os nomes do meu amigo-irmão-companheiro e quase primo Luiz Loschiavo e de seus familiares.
Lendo depois aquele texto considerei que a evocação sobre eles foi muito pequena se comparada à enorme convivência que tivemos ao longo de todos os anos que estivemos juntos ou mesmo separados por distâncias físicas.
O Luiz (Zinho para os íntimos, como eu) era realmente meu amigo-irmão-companheiro e quase primo, e explico por que:
• Amigo comprovado em inúmeras oportunidades, mesmo quando aprontava uma das suas ou eu, uma das minhas artes;
• Irmão, pois sei que embora não consangüíneos, assim nos considerávamos e, como tal procedíamos, embora eu chamasse a Da. Irene (sua mãe) de tia e ele, da mesma forma chamase a Da. Tereza (minha mãe);
• Companheiro já que éramos bons dançarinos e gostávamos de exibir nossas qualidades em todos os bailes que freqüentávamos (e, diga-se de passagem, arrasávamos);
• Quase primo, pois, durante muitos anos, namorou minha prima Sonia que por ele era apaixonada, mas que infelizmente não chegou até o altar por causa de besteiras de namorados, o que eu muito lamentei.
Isto explicado, vamos dar vazão à memória:
O Zinho morava com sua família no numero 79 da Rua São Domingos (Bixiga). Era uma vila de dormitórios num longo corredor a céu aberto que, no final, em uma área mais larga, tinha os banheiros e os tanques coletivos e as cozinhas individualizadas.
O dormitório da família Loschiavo era o numero 6, e ali moravam a Da. Irene, a Catarina, mais conhecida como Chininha, Loschiavo (apelido dado por Homero Silva por ser a cantora mascote do seu programa infanto-juvenil na Radio Tupi de São Paulo), o José (Zezinho) que hoje é meu quase vizinho aqui na Praia Grande, o Antonio (Toni) e, finalmente a caçulinha Rosa Maria.
O Toni e a Chininha eu reencontrei há alguns anos atrás em Taquaritinga (SP) quando lá estive desenvolvendo um trabalho profissional.
A Vila onde residia a família Loschiavo tinha como guardiãs, duas lojas, do lado direito de quem olhasse a vila de frente, estava a quitanda da Japonesa onde comprei (muitas vezes “fiado”) e também fiz, diariamente, minha fezinha no mais brasileiro de todos os jogos, o “jogo do bicho”, e do lado esquerdo, a tinturaria do Urias, um crioulo alto, forte e boêmio, freqüentador assíduo do “Som de Cristal”.
Para arrematar esta lembrança quero registrar que no enlace matrimonial do Zinho, a festa se realizou nessa vila e foi ali que eu, com a conivência de outros companheiros, entupi o noivo de cerveja misturada com Purgoleite. Essa minha maldade teve como resultado catastrófico uma dezena de paradas emergenciais do ônibus que levava o casal de nubentes para a Lua de Mel em Aparecida do Norte e uma não concluída promessa de morte contra a minha inocente pessoa.
A vida atribulada me separou, durante muitos anos, do amigo Luiz, só vim rever pouco tempo antes de sua mudança pára o segundo andar, na cidade de Araçariguama (SP), onde já com uma perna totalmente imobilizada, era proprietário de um Bar e Bilhar na praça central.
A sua imagem nesse reencontro eu fiz questão de apagar da memória para manter a imagem dos tempos áureos quando ele, como eu, mantínhamos nossos cabelos com topetes de 3 andares, usávamos sapatos de couro de cobra abotoados lateralmente e com salto carrapeta emoldurados por calças de boca estreita (17/18 cm).
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