Essa homenagem é para lembrar as lotações que havia em Sampa e aos motoristas de táxi e ônibus do passado, além dos "busões" de antigamente como aqueles mastodontes papa-filas da CMTC, Companhia Municipal de Transportes Coletivos. Depois da CMTC vieram as empresas particulares como Auto Viação Jurema, seus proprietários era bons portugueses, tinha a Viação São Luiz, Viação Rio Bonito, Viação Bola Branca.
Os motoristas de ônibus de Sampa andavam muito bem alinhados, tinha “Quepe”, camisas engomadas e colarinho com barbatanas, calças com vinco, gravatas azuis, enfim cada empresa tinha seu uniforme e não podia trabalhar sem sapato lustrando bem engraxados com a famosa graxa “nuguet”. Eles cumprimentavam os passageiros, havia um respeito e conheciam a maioria destes, pois "pegavam” cotidianamente os ônibus no mesmo local, vi por algumas vezes motoristas ganharem presentes no final do ano de passageiros.
Andava muito de lotação, eram aqueles carros como Buick, Mercury, Dodge, onde cabiam três ou quatro no banco traseiro e dois na frente mais o motorista, uma dessas lotações saia do largo Treze de Maio até o Anhangabaú, passava pela Avenida Santo Amaro, Avenida Nove de Julho, Avenida Adolfo Pinheiro.
Pegava-a na Avenida Santo Amaro, pois trabalhava na Kibon e tinha que ir até a Junta Comercial, que ficava na Rua Barão de Itapetininga, levar aqueles livros enormes, onde se registravam as duplicatas, para que fossem autenticados, tudo isso feito num negócio chamado "mimeógrafo”, (há dias atrás com muita felicidade encontrei um amigo chamado Ângelo Pardini, trabalhou na Kibon comigo nesse bendito mimeógrafo, só que ele ficou lá por 32 anos – isso mesmo! – tanto que aposentou-se lá) não posso nem ouvir falar nesse bendito.
Então pegava essas lotações tanto na ida como na volta, era barato (coisa de 5 cruzeiros), os motoristas dessas lotações também andavam impecáveis, o comum era chamarmos as lotações de carros. Todos os carros eram bem limpos, assim como os ônibus também, raramente estes se envolviam em acidentes, pois os motoristas eram extremamente profissionais: não bebiam, não maltratavam os passageiros, varriam os ônibus, bancos limpos, os horários cumpridos. Os ônibus novos quando chegavam às empresas eram entregues aos melhores motoristas, principalmente aqueles que tinham os motores atrás os famosos Mercedes LDO, andar de lotação e ônibus era muito "legal".
Nos finais de semana os ônibus eram alugados para os “Farofeiros” irem a Praia Grande ou os Católicos para Aparecida do Norte. É só vermos as estáticas daquela época e vermos poucos acidentes nas estradas. Viva os MoCinésiforotoristas, Chofer,
Cinésiforos!!!.
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