Morávamos perto da fábrica da Orquima, que situava-se na Av. Santo Amaro próximo a Joaquim Nabuco e no final da Av. Morumbi no Brooklin Paulista.
Meu pai era torneiro mecânico na citada fábrica, que processava areia monazítica, extraindo materiais radioativos. Em 1954 contava eu 11 anos, quando um dia ao retornar do trabalho, meu pai entrou todo eufórico em casa anunciando a visita do presidente do Brasil, Dr. Getulio Vargas e exatamente na Orquima.
Na data marcada todos nos dirigimos para receber o ilustre visitante. Minha mãe que me segurava na mão estava ao lado do meu pai, que por ser funcionário se posicionara no caminho por onde a comissão passaria. Tive o privilegio de poder vê-lo bem de perto. Me lembro da figura gorda e baixa com o semblante bem carregado, bem diferente daquela foto sorridente que era fixada na parede em locais públicos.
Meses mais tarde, como todos sabem, ele se suicidou. Quando a Orquima por muito tempo ainda tocava sua sirene às 06 da manhã e ás 10 da noite anunciando a mudança de turnos, me vinha à memória aquela figura do Getúlio Vargas, rosto tenso e com um charuto na mão.
e-mail do autor: [email protected]