O lugar que ficou conhecido por Lapa na cidade de São Paulo, é uma sublime homenagem de fé ao culto da Santíssima Virgem Maria, que é considerada pelos cristãos como um ato de identidade através da história como um fenômeno multireligioso e multicultural. È na freguesia da Vila de Sernancelhe, a sede de um município no distrito de Viseu, na região norte do Douro, um conselho português onde está à imagem original de Nossa Senhora da Lapa.<br><br>A veneração da Virgem Maria é um dos mais populares e tradicionais ritos dessa região de Portugal. A réplica da imagem foi trazida ao Brasil por um cidadão português que, ao se mudar trouxe consigo uma imagem de Nossa Senhora e construiu ali uma gruta para a santa. A identidade do lugar na linguagem indolente do povo da região e da época deveu-se ao conhecimento popular do anuncio em torno dessa imagem e o lugar de então, passou a ser conhecido apenas pelo último nome: Lapa. O nome significa uma grande pedra em formato de abrigo. <br><br>A Lapa na época limitava-se com os sítios da Água Branca, Emboaçava e Tabatinga, hoje simplesmente denominados pelos bairros da Barra Funda, Freguesia do Ó, Pirituba, Parque São Domingos, Vila Leopoldina, Alto da Lapa e Perdizes. A sede do templo cristão edificado em um lugar ermo e rústico para atendimento religioso das pessoas da comunidade localizava-se no caminho de Jundiaí, hoje designados pelas ruas Barão de Jundiaí e Brigadeiro Gavião Peixoto, nos arredores das ruas Mercedes e Guararapes. Na época, a Lapa possuía um reduzido numero de habitantes. A fazendinha da Lapa, assim denominada pelos padres Jesuítas pelo fato de terem recebidos em doação sobre as condições de cantar e realizar uma missa anual em homenagem à Virgem Santíssima, com o titulo de Nossa Senhora da Lapa.<br><br>As origens do bairro remontam aos primórdios do povoamento de São Paulo de Piratininga. A primeira referencia que marcou o inicio sobre a região da Lapa data de 1581, quando os jesuítas receberam através de um instituto jurídico português uma sesmaria, que normatizava a distribuição de terras destinadas à formação de um núcleo religioso junto ao Rio Emboaçava, depois designado simplesmente de Rio Pinheiros. Em 1743 os jesuítas deixaram a região e 20 anos depois toda aquela região de Emboaçava possuía apenas cinco casas com 31 habitantes. <br><br>O produto do barro nas margens do Rio Tietê ajudou no desenvolvimento de algumas olarias e consequentemente o crescimento do povoado, empenhando-se em melhorar a urbanização do bairro da Lapa, que já começava a tornar-se industrial. Na segunda metade do século dezenove, visando o escoamento do café para o mercado externo, foi inaugurada a The São Paulo Railway Co. Ltda. (SPR) ligando Santos a Jundiaí, que passava por São Paulo com algumas estações intermediárias.<br><br>Para o lado oeste da cidade a única estação até então existente era a da Água Branca, local de ligações dos caminhos que atrelavam a cidade para os lados da Freguesia do Ó, Pinheiros e Campinas. Pouco tempo depois da inauguração dessa estação ferroviária, o trem fazia uma parada próximo à ponte do sitio do coronel Anastácio para atender a população do então incipiente bairro da Lapa. Nessa época, a região começava a apresentar os princípios de sustentabilidade necessários ao desenvolvimento urbano da cidade de São Paulo. Dessa maneira iniciava o surgimento das pequenas propriedades rurais da região, atraindo uma crescente massa de imigrantes, principalmente italianos.<br><br>Nesse objetivo comum foi aberto, na década de 1880, o loteamento de Vila Romana, composto de chácaras agrícolas. Depois influenciado pelos italianos ali residentes, o local recebeu nomes de figuras do império romano como Tito, Catão, Coriolano, Espártaco, Caio Graco, Scipião, Duílio, Clélia, Grasso, Cornélia, Marco Aurélio, Aurélia, Fábia, Camilo, Mario. <br><br>No mesmo período foi lançado o burgo comercial que se desenvolvia em torno do núcleo central da Lapa, e da Lapa de Baixo. Depois do surgimento da ferrovia incentivaram-se as primeiras indústrias da região, como a Vidraria Santa Marina e o Frigorífico Amour. Esses estabelecimentos se beneficiaram da proximidade com o Rio Tietê, multiplicando-se nas décadas seguintes de 1930. Outras indústrias começaram a se expandir em direções a outras áreas, mais especificamente para os lados da Vila Leopoldina, onde se concentrou grandes indústrias, principalmente no ramo metalúrgico, nas Vila Hamburguesa e Vila Anastácio.<br><br>Com a instalação das oficinas e da estação da São Paulo Railway SPR, no fim do século XIX, a Lapa entrou no novo século como um verdadeiro bairro urbano da cidade de São Paulo. A Lapa de Baixo foi escolhida para fixação de residência dos funcionários transferidos, o que veio desenvolver e dar garantias de boas relações comerciais ao lugar. Após três anos da instalação das oficinas, foram surgindo algumas casas na Lapa; umas de aspectos importantes, de propriedade dos mestres das oficinas, escriturários categorizados, telegrafistas, chefes do trafego, maquinistas, chefes de estação e mais raramente do operariado miúdo. <br><br>Se em um primeiro momento a ferrovia contribuiu para a implantação de indústrias na Lapa, na década de 50 e 60, essa acessão foi acelerada com a construção das marginais dos rios Pinheiros e Tietê. As terras de Vila Anastácio do então Anastácio de Freitas Trancoso começaram a ser urbanizadas em 1919, e a Vila Ipojuca em 1921, e passaram a ser ocupadas por imigrantes do leste europeu especialmente os húngaros. A partir de 1920 a Cia City realizou os loteamentos do Alto da Lapa onde começaram a surgir os primeiros bangalozinhos dos novos ricos do bairro da Lapa. A Vila Leopoldina foi cortada em lotes urbanos em 1926. Dessa forma estava começando a ser definida a estrutura básica do atual bairro da Lapa. <br><br>Sendo pólo urbano de ligação entre outros bairros e municípios da zona oeste, a Lapa viu crescer o comércio que se tornou um dos mais importantes da cidade. A partir de 1943, com a inauguração da Rodovia Anhanguera, caminho para o interior civilizado o bairro da Lapa sofreu grandes transformações, dando aumento ao crescimento comercial da região. Em 1954 foi criado o Mercado Municipal, no mesmo local onde se realizava a maior feira ao ar livre da capital.<br><br>Em 1957, na minha carteira escolar surgia o primeiro esboço da idéia de lançar um jornalzinho mural do Ginásio Estadual Anhanguera que seria batizado de “O Bandeirante”, sem nenhuma pretensão comercial que, depois se transformaria em um periódico do bairro, fundado pelo meu colega de classe Gade José Câmara, a "Gazeta da Lapa".<br><br>Em 1968 no local onde havia um antigo posto de gasolina foi inaugurado nas confluências da Rua Catão com a Rua Guaicurus o segundo Shopping Center do município de São Paulo. Ao fim da terceira década do século XX São Paulo aparecia como o maior centro industrial da América do Sul. Até 1950, ano em que fui morar no Alto da Lapa, a cidade se expandiu em todas as direções, mas foi para oeste e para o sul que tal expansão se verificou com mais intensidade. <br><br>No rumo oeste, a cidade ligou-se definitivamente à Lapa e mesmo ultrapassou, graças à ocupação da zona marginal, das vias férreas na Água Branca. Para além, na extensão da Rua Guaicurus, vieram surgir novos bairros operários de classe média. Nesse vertiginoso crescimento, a Lapa passou nestes últimos 50 anos como sendo um dos bairros mais bem servidos de infra-estrutura urbana da cidade de São Paulo. O Mirante da Lapa, precisamente no Alto da Lapa na Praça Waldir Azevedo estende-se pelas cercanias da Rua Cerro Corá, região com a mesma altitude da Avenida Paulista. De lá, temos uma visão panorâmica de todo o Alto de Pinheiros, da Cidade Universitária, do Ceasa, do Jaguaré, onde o sol se põe em um espetáculo de magnífica beleza. O local é frequentado pelos moradores, principalmente nos dias de sol e calor, oferecendo a vista privilegiada de grande parte da cidade de São Paulo.<br><br>Aqui, neste mesmo Alto da Lapa, ergue-se a Paróquia de São João Bosco, que de uma simples capelinha perdida no meio do morro e do mato, onde abrigava crianças e adultos, frequentadores do Oratório Festivo da Casa de Dom Bosco e que depois se transformou em uma igreja rotatória e um moderno centro cultural criada pelo então Cardeal Arcebispo de São Paulo Dom Agnelo Rossi e instalada no dia 17 de outubro pelo bispo Auxiliar Dom José Lafayette.<br><br>Este é um pequeno esboço, resultado de um esforço de pesquisa realizado junto da comunidade sobre os primórdios tempos, quando começaram chegar à Lapa as famílias de tiroleses do norte da Itália, outros da região da Calábria, e também, portugueses, espanhóis, franceses e sírios vindos para o tradicional bairro da Lapa.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>