Amo São Paulo desde quando abri meus olhos para o mundo. Meus avós Italianos vieram para este país e decidiram que São Paulo seria a cidade encantada – a terra prometida. E eles acertaram. É a melhor cidade do mundo, sem dúvidas. Temos de tudo. Em meu pensar, o sucesso desta grande metrópole está diretamente ligado ao conglomerado eclético de raças, a essa mescla maravilhosa de gente trabalhadora e alegre. Sou um homem de sorte tendo São Paulo como berço, pela dádiva de viver nesta cidade de antigamente. "São Paulo Minha Cidade" esta repleta de saudosismo, e isso é supimpa.
A Avenida São Luis, foi gentilmente apelidada de "milha de ouro", por aclamação unânime dos de empresas ou agências que estavam instaladas ali na época. Suas calçadas largas, arborizadas e limpas. Lá estavam Varig, Air France, Swiss Air, KLM, Alitalia, Braniff e outras agências de turismo. Eu tive o orgulho e o prazer de pertencer a essa casta formidável, era da Braniff.
Era uma passarela de pessoas bem vestidas e mulheres bonitas. Eu não sei o motivo, mas naquele tempo, as mulheres tinham uma especial admiração pelo uniforme da gente. Terno bege claro com botões dourados; camisa azul clara com pequeno botão na ponta do colarinho e gravata azul marinho. Uma asa dourada na lapela esquerda e uma no topo do quepe. Não era difícil conseguir encontros.
Eu era o encarregado de planejar o manifesto de carga. Atendia ao público desejoso em despachar mercadorias nas cidades atendidas pela Braniff. Além da agência na Avenida São Luis, mantínhamos um balcão de passagens no aeroporto de Congonhas. Nos dias de voo, eu e mais dois colegas seguíamos com a kombi da companhia para despachar o avião. Eu reportava-me diretamente com o engenheiro de voo para a distribuição homogenia da carga. Os meus outros dois colegas eram encarregados na contagem dos passageiros. Muitas vezes passageiros permaneciam eternamente no bar antes do voo e era comum, ter que "arrastá-los" para bordo.
Operávamos com Douglas DC-6 e DC-6B com 52 assentos. Para época era quase o que se tinha de melhor. Eu ficava encantado com a decoração interna e principalmente com as aeromoças, é claro. Todos nós sabemos que naquele tempo elas eram escolhidas a dedo. Eram as únicas que não ficavam entusiasmadas com o nosso uniforme. Porém um dia uma delas achou que eu era interessante. Antes de seguir viagem, ela prometeu que na próxima vez iria visitar-me na agencia.
Um belo dia, sem que eu pudesse perceber, ela entrou em minha sala. Usava uma saia curta para fazer jus às belas pernas. Foi coberta pelos olhares dos colegas. Não propriamente por ser uma mulher, afinal todos tínhamos sempre alguém, mas por ser uma aeromoça da empresa. Seu nome era Rebeca (Beckie). Sem cerimônia, sentou-se na esquina da minha mesa com uma perna. Estava vermelhinha de sol. Minha sala tinha duas portas: uma voltada para o corredor para o atendimento do público e a outra para o balcão de passagens. Nunca vi tanto passa-passa. Meu colega Dante (falecido Dante Pereira Cardoso – meu mentor) não aguentou e veio até mim. Fez-me uma pergunta a respeito de qualquer coisa somente para ver a Beckie mais de perto.
Ela praticamente ignorou o Dante. Nunca sonhei que ela viesse. Fomos jantar no Interamericano. Passamos três dias juntos. Programas no Ca'D'Oro, Paribar e no Hotel Excelsior onde a tripulação costumava se hospedar. Foi aprazente trabalhar na Braniff.
Nossa turminha: Dante que no final tornou-se o dono da Promoções Modernas Turismo S.A.; com o Sylvio Ferraz que fundou a Monark Turismo, ao qual devo favor enorme; com o falecido George Halas uma criatura humana sem par, tornou-se dono da New Port Turismo (Miami). Com o Frederico da Alitalia. Com o Alan, Moraes, Christina, Alex e tantos outros.
A Avenida São Luis foi a nossa a "milha de ouro".
Sou eternamente grato a todos eles, com muita saudade dessa São Paulo que não volta mais.
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