João Sebastião Bar

Quando leio as histórias desse site, minha imaginação voa até o bairro de Santa Cecília, Vila Buarque, Higienópolis e adjacências.
Dia desses, ouvindo músicas do Chico Buarque (Roberto Carlos foi minha primeira paixão, o Chico foi a segunda), me lembrei de um barzinho que conheci e freqüentei um pouco, na Rua Dr. Vila Nova – Vila Buarque.
Não conseguia me lembrar do nome de jeito nenhum e quando quero me lembrar de alguma coisa, não durmo enquanto não consigo. Fico pensando, pensando ou pesquisando, pesquisando. Recorri ao Google e foi lá que descobri o nome do tal bar.
Sabia que lá já haviam passado muitos nomes famosos da música popular brasileira, entre eles, Chico Buarque. Foi durante muito tempo o "point" da MPB.
Foi nesse bar que Chico fez suas primeiras apresentações públicas.
Fico imaginando ele sentado num banquinho, todo tímido, cantando:

..Eu quero ver um dia
Numa só canção
O pobre e rico
Andando mão e mão
Que nada falte
Que nada sobre
O pão do rico
E o pão do pobre…

Essa música é de 1964, chamada "Marcha para um dia de sol".

Chico estudou arquitetura na FAU na Rua Maranhão, até o terceiro ano, frustrando o desejo de sua avó que sonhava em ver o neto desenhando cidades.

E fiquei sabendo mais sobre o Chico:

"Dia 19 de junho de 1944, nasceu, no Rio de Janeiro, Francisco Buarque de Hollanda. A família logo muda-se para a rua Haddock Lobo, em São Paulo, em 1946. Ao partir de viagem para a Europa, se despediria da avó com um profético bilhete: "Vovó, você está muito velha e quando eu voltar, eu não vou ver você mais, mas eu vou ser cantor de rádio e você poderá ligar o rádio do Céu, se sentir saudades".

(Felizmente essa profecia se realizou…)

Em 1959, já mostrava um grande interesse pela música. Além dos sambas tradicionais de Noel Rosa, Ismael Silva, Ataulfo Alves, também ouvia canções estrangeiras. Seu sonho, na época, "era cantar como João Gilberto, fazer música como Tom Jobim e letra como Vinícius de Moraes". É deste ano sua primeira composição de que ele se lembra, Canção dos Olhos (não achei a letra na internet).

Em 1964, apresenta-se pela primeira vez em um show, no Colégio Santa Cruz, cantando Canção dos Olhos. A música Tem Mais Samba também é desse ano e o show de TV então era O Fino Da Bossa, onde se apresentavam, entre outros, Alaíde Costa, Zimbo Trio, Oscar Castro Neves, Jorge Ben, Nara Leão, Sérgio Mendes e Os Cariocas. No auditório do Colégio Rio Branco, Chico mostra a sua canção Marcha Para Um Dia de Sol.

Em 1965, é lançado seu primeiro compacto com Pedro Pedreiro e Sonho de Um Carnaval, sua primeira música inscrita em um festival, o da TV Excelsior. A canção defendida é depois gravada por Geraldo Vandré e não se classifica. O primeiro lugar vai para Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, interpretada por Elis Regina.

No João Sebastião Bar, reduto paulista da bossa nova na época, conhece Gilberto Gil. Nesse mesmo ano, conhece Caetano Veloso, que se entusiasmara ao ouvir Chico cantando Olê, Olá num show estudantil. Em 1966, A Banda divide com Disparada, de Théo de Barros e Geraldo Vandré, o primeiro lugar no II Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Record.

E pra encerrar minha pesquisa, a minha predileta:

"…Carolina
Nos seus olhos fundos
Guarda tanta dor
A dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei que não vai dar
Seu pranto não vai nada mudar
Eu já convidei para dançar
É hora, já sei, de aproveitar
Lá fora, amor
Uma rosa nasceu
Todo mundo sambou
Uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo
Pela janela, ói que lindo
Mas Carolina não viu…"

Ainda tem muita coisa a escrever sobre o Chico. Volto.