Início da Cidade Monções

Eu era muito criança, mas lembro bem quando meus pais alugaram uma casa na cidade monções, na rua holliwood. Era 1953.
Foram para aquele fim de mundo porque uma tia, irmã de minha mãe havia comprado um terreno na rua Guaraiuva e construído "dois cômodos e cozinha" como se falava na época.
O problema era que Monções foi loteada sobre um verdadeiro pântano, com o esgoto correndo por canais de drenagem, tanto que não havia água encanada no bairro, e os poços furados nos quintais nunca tinha mais que quatro ou cinco metros de profundidade, e quando chovia muito os poços transbordavam, e o resultado era que as fossas negras infiltravam no lençol d’água e tudo contaminavam. A água de lavar, banhar e de uso sanitário era malcheirosa, e quando era fervida formava uma grossa camada verde claro que tinha de ser removida.
A água para beber era fornecida pela prefeitura através de uma pipa de concreto sobre quatro rodas, que era puxada por um trator, e deixada na esquina para que todos se servissem da água.
A criançada quase sempre esvaziava os pneus da pipa, e quase sempre apanhava dos pais por isso.
O ponto final do ônibus era em frente a padaria, lá pertinho da fábrica da Ponds, e o ponto inicial era no vale do Anhangabaú, a direita da galeria prestes maia. Era da CMTC.
A falta de recursos básicos e as doenças provocadas pela falta de saneamento na região fizeram com que meus pais voltassem para o Braz, pois não acreditavam que um dia pudesse Monções ser urbanizada.
A região onde hoje é a Berrine apresentava grandes alagamentos quando chovia e não haviam habitações naquela área.
Os portos de areia eram muitos, junto as margens do rio pinheiros, e muitas crianças morreram afogadas naquelas lagoas profundas que se formavam pela extração da areia.