Quem freqüentou ou ainda por lá passa deve conhecê-lo. Na época de que lhes falo, década de 50, ele tinha um estilo até moderno. As sacadas que davam para rua eram a sua marca. Em todas elas haviam floreiras, avencas e outros adornos, como espreguiçadeiras coloridas. Refletia o bom gosto, e convidava para entrar. Seus hospedes eram especiais, e por isso a casa lhes dedicava o melhor. E para completar a hospitalidade, acrescentava a toda mordomia, uma boite com show ao vivo. Eu era o seu vizinho, e era feliz por esse status, pois que me deliciava com as apresentações de famosos artistas. Não os via, mas ouvia. O meu quarto de dormir nos fundos do sobrado fazia divisa com a boite. Dos cantores que lá passaram, uma voz até hoje ficou registrada na minha memória: a da Nora Ney. Voz grave, bem postada, dava gosto ouvi-la. Ela fez uma longa apresentação, certa ocasião, sinal de que era bem recebida. Sua carreira estava no início. Os cantores da época já eram rotulados. A Nora poderia se dizer ser do estilo "dor-de-cotovelo". As letras dos seus sambas-canção de certa forma continham uma boa dose de amargura em relação ao amor. Das canções que ela apresentava de então, "Ninguém me Ama" e "De Cigarro em Cigarro", marcaram muito seus fãs.
É falecida, e foi casada durante 50 anos com Jorge Goulart, cantor e compositor. Sua filha foi em 1963 eleita miss Brasil. A rainha da fossa, como foi conhecida, deixou muitos fãs, entre eles, eu.
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