Em junho de 1967, então com doze anos de idade, conheci o Olivar Filho, um garoto da vizinhança que com onze anos de idade, tocava, e muito bem, bateria, baixo e guitarra, filho de um pianista da extinta TV Paulista, e arranjador da também extinta gravadora Fermata. O tal garoto me viu fazendo um "batuquezinho" na casa de um amigo do bairro, e me disse que se eu quisesse ele me ensinaria a tocar bateria. Não deu outra, algumas semanas depois estávamos eu o Olivar e mais dois garotos ensaiando na sala de sua casa. Detalhe importante: ficávamos ouvindo música naquela sala enquanto seu pai dormia, pois ele também era músico da noite e só quando ele acordava começávamos a fazer o nosso "barulhinho bom".
No mês seguinte, uma garota da vizinhança, filha de um trombonista da orquestra da TV Record, convidou-nos para tocar em seu aniversário. Tocamos umas dez músicas, era todo o nosso repertório. No final da festa quando fomos nos despedir para irmos embora, o grande trombonista veio a nós e nos deu 20 cruzeiros. Não entendemos o porquê, e ele nos disse que, se quiséssemos ser profissionais sempre deveríamos receber um cachê.
E assim com a banda mais "afiadinha", tocamos no Salão da Criança em 1969 e 1970, e para nossa felicidade fomos muito aplaudidos.
Hoje, aos 52 anos, sou músico profissional há 30 e toco em uma banda que se apresenta em eventos de formaturas de faculdades na capital e em outras cidades.
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