No bairro, uma estranha história corria de boca em boca, naqueles idos dos anos 60. Noite alta, uma garotinha de branco vendia limões com sua cestinha de vime.
Muita gente comprou, a menina recebia o dinheiro – mãos geladas – agradecia com uma voz estranha, fina e cavernosa e seguia seu caminho. Sempre pelos cantos mais escuros da rua.
Um dia, um morador mais audacioso a seguiu. A garotinha entrou no cemitério – pequeno cemitério de bairro – e desapareceu.
Ao amanhecer, em um dos túmulos, o perseguidor viu uma cestinha de vime repleta de limões, secos, sem suco; ao lado do túmulo, vicejava um frondoso pé de limão galego.