Olá, colegas da velha boemia paulistana. Estou nos EUA há mais de trinta anos, já fazendo parte desta panela, mas ainda tendo um coração batendo em ritmo de samba, ainda muito brasileiro.
Vim aqui para ler algo e me deparo com pérolas com que vocês me brindam, velhos boêmios, que me fazem lembrar da boca do lixo, do luxo e das boates chiques da Nestor Pestana, ddo Ton Ton Macoute, do Playboy da Augusta, do Mau-mau da Major Sertorio e do meu querido reduto depois das três, o Cave.
Estas casas eram do meu amigo Luis Vasallo e seu irmão Doca, que com a sociedade do meu amigo luzitano Neto abriram-nas. Faltou mencionar o Mustache, atrás do Cemitério da Consolação. Que tempo bom.
Bem, mas o meu reduto mesmo era a Grande Vila Buarque. Quando ainda jovem, ingressei na policia civil, aliás, na DDP. Quem se lembra? Ainda tínhamos a Guarda Civil que acabou na Militar. A DDP era na Luz, pertinho da velha rodoviária. Sim, me nomearam fiscal daquele departamento e ali comecei a frequentar a Vila e outros bares, como João Sebastian Bar, e barzinhos das galerias, como a Metrópole etc.
Lembram?
Bem, não posso deixar de mencionar que antes disso, já com dezoito anos, também frequentava o Lancaster, na Augusta, e usava meu Pino Silvestre.
Já na polícia, depois das tantas, íamos para o My Love, que era do Zigui, dono do Snobar, da Bento Freitas, ao lado? Ah, ali tinha as flores da Laura e do Hercilio, o famoso Lamour, que depois virou na Major Sertório.
Minha amiga Laura e Hercilio. Ele veio a falecer muito doente. Falo dos tempos de delegados. Saudades da RUDI. Sim, trabalhei lá também. Fui nomeado comissionado a investigador e fui para a RUDI, Vícios e Costumes e depois a 7a. da Lapa.
Bem, mas voltando a Vila… Quem não se lembra do Dakar? Do meu amigo Pedrinho e seu sócio, o Carvalho? Do Club de Paris, Le Masque, La Vie en Rose, Snobar e o Galo Vermelho, do meu amigo Paulinho. Quando tudo terminava na Vila, íamos lá para o Cave, na Consolação, e ali estavam os bacanas da noite, os tiras mais famosos da polícia e seus delegados famosos também. Muitos capas de revistas, devido a controvérsias etc.
Para terminar a minha viagem à noite paulistana, devo contar, ou quem sabe lembrar a vocês, de que, lá pelas três ou quatro de la matina, ladrões, policiais, prostitutas e cafetões se reuniam num campo neutro, para comermos uma comidinha saborosa na Adega do Arouche. Ali era como na Suíça, território sem guerra, sem algemas, e os amores se reuniam. Cafetões com suas mulheres, policiais e seus amores. Ali havia paz e respeito
Tempo bom, não volta mais. Saudades de outros tempos iguais. Lilico. E Viva Charutinho e chorem na rampa, negrões. Aqui gerarda. Boemia, aqui me tens de regresso…
Fiquem com Deus.
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