Drible número 04

Na década de 60, a marca de bola que predominava no futebol profissional era a “Drible". Assim como as chuteiras "Gaeta" mopolizavam (se bem que esta palavra não era usada na época) a venda de chuteiras.

Uma preocupação que meu pai não tinha às vésperas de Natal era de saber o que eu queria ganhar de presente. Explico: meu pai já sabia antecipadamente o que eu queria todos os anos: uma bola de futebol de capotão, marca Drible, número 04!

Foram vários e vários natais que a tal bola amanheceu na mesa da cozinha nas manhãs de natal, trazidas na madrugada de 24/12 pelo Papai Noel. Assumo que demorou além do tempo para que eu e meu irmão ficássemos sabendo que Papai Noel, como nós imaginávamos que fosse, não existia. Vai fazer o que, né?

O imenso amor de meu pai por nós fez estes momentos se prolongarem. Na véspera de Natal, por volta das 20h, íamos à casa de minha avó materna, deixando os bilhetes pro Papai Noel sobre a mesa da cozinha… Ao voltarmos, lá pelas 2h da madrugada, pronto! Lá estava o quadro sobre a mesa: a vermelhinha número 04 da Drible.

Dia seguinte, lá estava eu no campinho, orgulhoso e com status por possuir uma bola para jogar futebol. E os vários boleiros deste site sabem que quem tinha bola, não ficava de fora na hora de escolher os times.

O Natal! O meu pai Francisco! A Drible número 04! A Avenida Paulina Pires Beu no Caxingui, onde residiam meus avós! O que foi mais gostoso? Resposta: junto tudo isto e agradeço a Deus…

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