Década de 1940, o Parque Peruche era um recanto junto à Casa Verde repleto de chácaras e nascentes d´água. Crescia ali o garoto que viria a ser dos maiores esportistas mundiais, o "Galo de Ouro": Éder Jofre.
Éder em recente entrevista a Juca Kfouri declarou que da sua infância guarda as melhores recordações: De montar arapuca, caçar passarinhos, roubar caqui na chácara da japonesa, jogar pelada no campinho, nadar na biquinha…
Éder Jofre quando adolescente jogava futebol de várzea no XV de Novembro do Peruche. São-paulino, foi no clube de coração que começou a carreira de boxeador, tendo como técnico o próprio pai, Kid Jofre.
Participou das Olimpíadas de 1956, em Melbourne, Austrália. Era peso-mosca e foi eliminado nas quartas de final, melhor resultado do boxe olímpico brasileiro até então.
Conquistou o título mundial dos pesos galos pelo Conselho Mundial de Boxe, ao nocautear o mexicano Eloy Sanchez numa luta emocionante. Após conquistar o primeiro título mundial foi apelidado de "Galo de Ouro".
Éder ainda não havia chegado ao topo, pois a União Européia de Boxe não reconhecia os campeões da americana NBA. Foi só em 1962 que surgiu a oportunidade de uma luta pela unificação dos pesos galo, entre Jofre campeão pela NBA e Caldwell campeão pela UEB. Essa luta foi realizada no ginásio do Ibirapuera. Éder massacrou o irlandês Johnny Caldwell e se tornou o indiscutível campeão mundial dos pesos galo.
Manteve-se campeão mundial dos pesos galos até 18 de maio de 1965, quando perdeu o título numa polêmica disputa contra o japonês Masahiko "Fighting" Harada, em Nagoya, Japão. Estava quebrada uma série invicta de 50 lutas sem derrotas (47 vitória e três empates) mantida pelo boxeador brasileiro.
Em 30 de junho de 1966, voltou a enfrentar Harada, em Tóquio, Japão, e também perdeu por pontos. Foi quando decidiu se afastar dos ringues.
Retornou em 1969, ano em que fez apenas uma única luta, em São Paulo, vencendo Rudy Corona por pontos. Com problemas para manter o peso, acabou subindo para a categoria pena. Realizou quatro combates em 1970, outros quatro em 71 e cinco em 72. Venceu todas as lutas que disputou até chegar à conquista do título mundial, no dia cinco de maio de 1973, em Brasília, contra o cubano naturalizado espanhol José Legrá.
Depois defendeu o título apenas uma vez, vencendo por nocaute o mexicano Vicente Saldivar. Alguns problemas entre seus empresários provocaram a cassação do título em 17 de junho de 1974. Éder Jofre foi obrigado a parar, mas parou como campeão. Fez sua última luta no dia oito de outubro de 1976.
Éder Jofre é o maior pugilista brasileiro de todos os tempos. Acumulou um cartel de 78 lutas, 50 vitórias por nocaute, 22 vitórias por pontos, quatro empates e apenas duas derrotas por pontos. Está no Hall da fama do boxe mundial em Nova York. Foi eleito pelo Conselho Mundial de Boxe, o melhor peso galo do boxe contemporâneo, homenagem realizada na ONU em Nova York. A revista The Ring, a mais prestigiada publicação do setor, também o colocou entre os maiores.
Do Parque Peruche ao Hall da Fama em Nova York: Éder Jofre o eterno "Galinho”.
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