Diversão na São Paulo Antiga

O Realejo

Lembrei-me deste instrumento singelo, cuja origem não sei ao certo, mas que nas décadas de 40 e 50 fazia a felicidade das pessoas humildes da São Paulo antiga.
Tentarei descrever o que vem a ser o velho realejo, cantado em prosa e verso leo saudoso caboclinho Sílvio Caldas em uma linda canção.
Era grande, acionado manualmente por uma manivela e eis que tocava as músicas da época . Muito alegre, era de metal e possuía umas gavetinhas onde o 'homem do realejo' guardava com muito carinho mensagens de amor, felicidade e esperança… sabem como?
Um periquito, ave verde e barulhenta, brasileiríssima, retirava aleatoriamente com seu biquinho as mensagens para cada pessoa de per si, em troca de algumas moedas. O realejo e seu dono ganhavam a vida vendendo ilusões benfazejas para o povo da rua.
Quantas vezes eu, minhas irmãs e irmãos, e a minha mãe e tantos outros esperávamos o periquitinho retirar a nossa mensagem para o dia, mês e ano. Peço a vocês, que porventura me lêem, que pesquisem mais sobre este instrumento de ilusões das décadas douradas.

O Circo

O circo acompanha a humanidade. A trupe circense merece todo o nosso aplauso e reverência. Quando éramos crianças, a nossa grande diversão era ir à matinê do circo, acampado por pouco tempo nas cidades interioranas desses Brasis à fora.
O astro maior era o palhaço, que nos fazia rir, mesmo quando estava chorando por dentro. A trapezista, linda e esbelta, era o orgulho do circo. Havia o domador de feras, a mulher barbada, a contorcionista, o drama da Paixão de Cristo, as dramatizações, o palco iluminado.
As bancadas apinhadas de jovens, velhos e crianças, todos com os olhos absortos, a saborear cada gesto, cada piada, cada pirueta no ar. Os suspiros das moçoilas e rapazes. Os sacos de pipoca, etc.
Estão vivos em nossa memória o grande Carequinha, o magnífico Arrelia, o jocoso Pimentinha, e tantos e tantos outros anônimos. Onde estiverem, aceitem a minha homenagem sincera!