Das vertentes do santuário ecológico da Água Funda corre saltitante o Ipiranga. Pelas veredas sombreadas das sibipirunas segue o seu destino: o Tamanduatei.
Os passantes da estrada do imperador o reconhecem dentre tantos córregos. Seu caminho ladeado por majestosa mata abriga, em seu seio, a passarada alegre. Aqui, ali, despontam altaneiros jequitibás, sentinelas do santuário.
Os viajantes da corte têm o seu pouso preferido. Sequiosos saciam a sede na sua fonte refrescante. Vencida as morarias dos moinhos, o vale do Tietê apresenta os campos de Piratininga.
Testemunha do maior episódio da sua história, o Ipiranga se perpetuou no dia sete de setembro de 1822, quando ouviu o grito da liberdade. Ao seu sítio sagrado, peregrinos convergem nesse dia para reverenciar a sua emancipação.
Séculos se passaram. Mudaram-se os números. Mudou-se a paisagem. Também as pessoas, os costumes. O que era ecologicamente correto transfigurou-se num espectro monstruoso.
Mas o passado está presente na memória. No bairro do Ipiranga respira-se o ar saudosista dos tempos da independência.
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