Nada de métodos mirabolantes, vanguardistas nada disso.
Algo muito simples e tradicional, como foi o aprendizado muito antes dos tempos de Internet. Era assim o Colégio Paulistano na tradicional Rua Taguá, 150, na Liberdade.
E foi lá onde boa parte de minha família estudou, se conheceu e formou família.
Infelizmente cheguei por lá quando as luzes do Colégio se apagavam para os holofotes de uma recém fundada escola superior, a FMU.
Mas nem por isso pude conhecer alguns personagens maravilhosos que povoaram aquele espaço. Professores, diretores e funcionários que fizeram história passaram por lá.
Não foram do meu tempo, mas quem estudou matemática deve se lembrar do nome do Prof. Benedito Castucci, da geometria e outras ciências matemáticas. O Carlos Marmo, da família de professores do antigo Anglo Latino e o Prof. Domingos Bemtivegnia, pai da famosa cantora da canção "Hino ao Amor" da Edit Piaf. Muitos outros nomes famosos do ensino passaram por lá. E mereceram muito respeito.
Na minha época conheci professores incríveis e eu acredito que exista algum leitor que os conheça também. Nomes como Oswaldo Zion, de matemática, o Arlindo, de Física, a excelente e erudita professora de História, da qual só lembro o sufixo do seu nome: "Ita" (ajudem-me leitores…)
E o prof. Carlos e seu famoso cachimbo das aulas de desenho, além de sua portentosa voz que faziam lembrar o ator Paulo Goulart que ressoava entre uma ou outra épura ou rebatimento no pH no PV e assim vai.
Mas o incrível mesmo era o 100 % grisalho professor de Química com seu invejável par de sobrancelhas, de fazer inveja até a Monteiro Lobato.
Os funcionários também eram bem curiosos: Havia o Simonal, o bedél da FMU que dava uma força no colégio durante o dia, e o exótico Sr. Joaninha, figura lendária cópia fiel do inseto que lhe apelidava. Era assim chamado até mesmo pelo diretor da escola, o "seu" Nicanor.
Um outro diretor de nome incomum tinha até um homônimo no próprio colégio: era o Sr. Onésimo de Moura… Vejam só…
Farei uma menção honrosa ao melhor professor de Literatura que já vi até hoje, pela sua competência, conhecimento e paciência, o brilhante professor Flávio Prado.
Quanta saudade, quantos amores e quanta alegria e farra com nossos colegas. Recordo-me nessa época dos tempos da Jovem Guarda quando resolvemos uma vez formar um conjunto de rock e trazer instrumentos eletrônicos para ensaiar um "rockinho" durante a aula de música. Estava eu com um velho baixo elétrico "Snake" ligado a todo volume quando o já rouco e frágil professor Domingos, debilitado pela idade gritava: "Moço, para com esse bumbo" !
Semanas depois ele veio a falecer, coitado…
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