Central do Brasil ou A infância

Vivi toda a minha infância nos anos 60 e na região da zona leste da capital, beirando as linhas de trem da Central do Brasil (ramal variante). As estações eram: Antonio de Barros, Engenheiro Gualberto (Penha), Engenheiro Trindade, Engenheiro Goulart, Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Itaim Paulista e algumas outras.<br><br>Estava sempre perambulando pelas linhas de trem, as estações eram muito limpas, havia a sala do "chefe da estação", um homem que andava de gravata e calça azul marinho. Tínhamos um grande respeito por ele, pois era o xerife do pedaço capaz de ter gravado na mente todos os horários e tipos de trem que por ali circulavam.<br><br>Havia um grande movimento de passageiros nas estações, pois São Paulo não tinha ainda a Radial Leste, as marginais ou o metrô. Eu pulava de vagão em vagão e pegava os parafusos (enormes) dos trens abandonados nas estações para vender no ferro velho da Penha. Ganhava uma grana legal com isso, até que a minha mãe descobriu e ficou vermelha, puxou a minha orelha e me levou a te a estação de trem para pedir perdão e entregar a mercadoria.<br><br>Nos fundos do meu quintal passavam os trens, havia o trem de luxo (prateado) que fazia a linha São Paulo/Rio de Janeiro e todos acenavam quando ele passava. Era muito bonito, hoje é saudoso.<br><br>Atualmente as estações (patrimônio da rede federal) estão completamente abandonadas e se tornaram um local vergonhoso. O governo poderia utilizar o espaço das estações para a promoção da paz e da cultura, evitando assim que a vizinhança seja colocada em risco.<br><br><br><br>E-mail: [email protected]<br>