Quem se lembra do incrível Carnaval Orniex (início dos anos 60)? Deveria estar com meus 12 anos de idade… Durante o reinado de Momo, a TV Record mostrava em flashes noturnos imagens do concurso de resistência carnavalesca. Apresentado pelo narrador esportivo Raul Tabajara… O local seria o ginásio situado próximo ao aeroporto de congonhas? Ficávamos assistindo, entrando pela madrugada, cenas absurdas de foliões semi-conscientes que "flutuavam" pelo salão… Haviam figurinhas carimbadas: o índio, o palhacinho, as colombinas e os arlequins desesperados… Todos precisando dançar sem parar nos 4 dias de folia para "beliscar" prêmios prometidos pela organização… Minha mãe aparecia e com ar de censura dizia:<br>- Filho… Muda de canal… Isso é um "mundo cão" (filme da época)! – mas eu insistia em ver, aquilo era uma loucura transmitida ao vivo, tinha até comentaristas e repórteres (e aí peço ajuda na memória). Vagamente me lembro de um repórter entrevistando, dentro de um suposto vestiário, um concorrente deitado com os pés para cima (me parece que concediam um descanso de 5 minutos a cada hora) e ele perguntava: – Você vai conseguir agüentar firme até a 4ª feira? Vou sim, e espero levar o prêmio de 1º colocado para minha família que deve estar me assistindo e torcendo… O repórter então devolvia a palavra: – Vai daí Tabajara, me parece que ninguém tira o prêmio do Índio nesse carnaval… Ele está animadíssimo!<br>Quem se lembra? Será que ninguém pode ajudar a resgatar imagens ou mesmo fotos dessa verdadeira raridade da história da TV brasileira? Vamos puxar pela memória, era tudo em preto e branco… Eu imagino que concorriam mais ou menos uns 800 malucos e também que a certa altura, e mesmo no final, os músicos mandavam até de forma sádica: frevos alucinantes para derrubar mais uma leva de espertinhos que eram retirados de maca, estavam apenas fingindo a dança (na verdade muitos dormiam em pé). A expectativa ia aumentando e na última noite sobravam quase sempre os mesmos, ficavam apenas uns 15 ou 20 e não mais do que isso, ali naquele martírio, naquele covil de hienas, naquela reta final delirante… O repórter aparecia agora ao lado do folião todo suado e carcomido após tantas horas acompanhando ritmos variados…<br>- Como é? Tudo bem? – E a resposta vinha apenas por sinais de um ser moribundo, mas ao mesmo tempo, feliz pelo "dever cumprido"…<br><br>e-mail do autor: [email protected]