Carnaval do Brás – Clube dos Motoristas

Ah… Carnaval, que bom! Era a única época antes das festividades juninas, que as moças, ou melhor, meninas, quase mocinhas, podiam usar o batom, o pó facial, purpurina nos cabelos e lápis para os olhos… Também poderiam usar as famosas calças "rancheiro" ou shorts para pular o Carnaval.<br><br>Naquela época, meados de 1958 a 1962, ainda se usavam as famosas lança-perfumes para provocar carinhosamente alguém, não me lembro se eram importadas, mas sei que usava ampolas cilíndricas de vidro e de um material dourado.<br><br>O importante era poder pular o Carnaval. Aonde? No Clube dos Motoristas, próximo à Igreja do Brás, talvez na Rua Jairo Góes. Não me recordo bem, mas lembro do salão: subíamos por uma escada e a expectativa era grande, tudo enfeitado com máscaras, serpentinas e muito confete, a banda tocando as marchinhas carnavalescas e o Francisco Petrônio cantando; não se via nada além de uma grande camada de crianças rodando em turmas pelo salão, isso sim era acabar com o atual estrese.<br><br>Coisa boa… O Carnaval se alongava pela Avenida num misto de fantasias diversas, bailarinas, havaianas, cowboys, piratas, odaliscas e tantas outras, e a coisa ficava bonita e alegre.<br><br>Lembro-me de uma ocasião em que havia sido encenada no Ibirapuera, uma festa chamada “A marujada”, falava sobre a chegada dos portugueses e fora, através, do Parque Infantil D. Pedro II, sobre a orientação das educadoras Maria Aparecida e Lourdes, e muitas meninas (inclusive eu) se vestiram de portuguesas, com saias vermelhas, avental branco, blusinha branca com coletinho preto amarrado na frente e um lenço na cabeça, sapatos pretos e meias ¾ brancas. Nesse ano, assim foi minha fantasia.<br><br>Bem comportada para a ocasião, mas muito me diverti com a molecada do bairro. Era tudo bem familiar, as pessoas se conheciam e se respeitavam. Realmente uma época que só quem contemplou pode avaliar.<br><br>E-mail: [email protected]